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Politica de PrivacidadeUma professora de 25 anos que frequentava uma academia em Passarinho, na Zona Norte do Recife, viveu uma situação chocante em maio deste ano: durante um treino, o instrutor do estabelecimento a segurou pela cintura, ignorou o pedido de não ser tocada e a mordeu nas costas. O episódio foi registrado por câmeras de segurança e agora é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco.
A jovem, que prefere não ter o nome divulgado, frequentava o local há cerca de um ano. Segundo ela, o comportamento do profissional já vinha causando desconforto antes do ataque. “Ele encostava a mão nas minhas costas e ficava falando coisas do meu lado. Eu nunca dei abertura, porque não tinha intimidade com ele. Quando eu reclamava, ele respondia que era brincadeira”, relatou.
No dia 19 de maio, o instrutor se aproximou da vítima enquanto ela fazia um exercício. Depois de orientá-la, ele voltou e tentou abraçá-la. “Eu deixei claro que não queria, pedi para ele apenas encostar a mão na minha, sem abraço. Mesmo assim, ele me segurou à força, mordeu as minhas costas e eu fiquei paralisada. Ele percebeu que eu estava transtornada e falou que tinha sido só uma brincadeira”, contou a professora.

A gravação mostra o momento em que a mulher está perto de uma rampa. O homem se aproxima por trás, segura a cintura dela com as duas mãos. Ela balança a cabeça em negativa e tenta se soltar. Ele insiste, a morde na região das costas e a derruba sobre os próprios braços.
A vítima buscou primeiro a Delegacia da Mulher de Olinda, mas foi orientada a registrar a ocorrência no Recife. Depois de formalizar a denúncia, ela também procurou a direção da academia. A responsável pelo estabelecimento garantiu que o instrutor seria afastado e que a aluna não voltaria a vê-lo por lá. Durante três meses, os dois não se cruzaram.
Mas na quarta-feira (19), a jovem se deparou com o homem novamente trabalhando no local, vestindo o uniforme dos outros profissionais. “Eu não tinha divulgado o vídeo porque não queria prejudicar a imagem da academia nem dele. A dona me garantiu que eu estava protegida, que ele não voltaria mais, até porque morava longe. Quando cheguei ontem, ele estava lá, do mesmo jeito”, desabafou.
Após tentar contato duas vezes com a delegacia onde havia feito o primeiro registro, a professora compareceu pessoalmente à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Centro do Recife, na quinta-feira (20). A denúncia foi atualizada com a inclusão do vídeo. O caso agora é investigado como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A jovem também passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).

A ElevaFit, rede à qual a academia pertence, informou que o instrutor não foi reintegrado de forma definitiva. De acordo com o estabelecimento, alguns funcionários precisaram se afastar por questões de saúde e não houve tempo hábil para contratar substitutos. Por isso, o ex-funcionário teria sido chamado apenas para cobrir dois plantões. A empresa declarou ainda que o homem afirmou não ter sido notificado ou intimado por nenhuma autoridade sobre o ocorrido.
Segundo a academia, a presença dele foi pontual e sem vínculo permanente. A ElevaFit ressaltou que desligou o profissional assim que tomou conhecimento do episódio, em maio, ofereceu suporte à aluna e disponibilizou as imagens à polícia. “A empresa não tolera a conduta relatada e segue à disposição para colaborar com a vítima e com as autoridades. A segurança e o respeito aos alunos são prioridades da instituição, que está aberta a todos os esclarecimentos”, afirmou em nota.




