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2025 marcou um importante passo na ordem da regulamentação dos jogos de azar – este marco parte de anos de esforço intenso para que o setor se organizasse com controle, já que desde 2018 se observava um crescimento a larga escola, mas sem regulamentação a acompanhar. Assim, em 2024 foram legalizadas as apostas de quota fixa no Brasil.
No entanto, será que a legalização dos cassinos físicos segue de mãos dadas com esta regulamentação? É isso que está em cima da mesa neste momento – e o que pretenderemos explorar neste artigo, para que possa perceber a análise completa desta situação nos últimos tempos
O Projeto de Lei 442/1991, que propõe a legalização dos cassinos, bingos e jogo do bicho, já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado Federal. No entanto, em dezembro de 2024, a votação foi adiada para 2025 devido à falta de consenso entre os senadores – mas a realidade é que a mesma já vem sendo “empurrada” desde 1991.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, tem sido um dos principais defensores da proposta. Ele destaca que a legalização dos cassinos pode impulsionar o turismo, gerar empregos e aumentar a arrecadação de impostos. “O projeto, na verdade, autoriza a instalação de cassinos em polos turísticos ou complexos integrados de lazer, como resorts e hotéis de alto padrão. Os cassinos também poderão ser instalados em embarcações marítimas, limitadas a 10 no país”, explicou o ministro ao Correio Braziliense. Haverá, também, uma divisão por estados, para que esses polos turísticos possam ajudar no desenvolvimento regional.
Com a discussão mais atual que nunca, têm sido efetuados diversos estudos para agilização de materiais palpáveis – estes indicam que a legalização dos cassinos pode movimentar entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões anualmente, além de gerar mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos – aliás, poderia aumentar em 20% os atuais 214 mil empregos relacionados ao turismo. Mas não se fica pelo turismo; esta regulamentação acabaria por impactar outros setores, como caso da hotelaria, gastronomia e comércio – setores todos eles importantes para a economia local e nacional. Ainda em cima da mesa segue a estimativa de que a legalização dos cassinos físicos poderia aumentar em 1,2% a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB).
De um lado, os defensores da legalização dos jogos de azar no Brasil argumentam que, apesar da proibição vigente, a atividade continua ocorrendo de forma clandestina e sem controle, sendo extremamente popular entre o público. Nesse sentido, a regulamentação seria positiva. Como? Pois permitiria combater práticas ilegais associadas, como a lavagem de dinheiro, além de ampliar a arrecadação do Estado por meio da tributação e da formalização do setor. Através de plataformas legalizadas, seria possível aproveitar ofertas como cassino sem depósito disponíveis para os jogadores.
Por outro lado, os críticos alertam para os riscos à saúde pública, sobretudo em relação ao aumento dos casos de dependência em jogos, o que acarretaria custos sociais elevados. Também há quem se oponha por motivos culturais e morais, considerando que os jogos de azar ferem os princípios dos bons costumes – relembrando que este argumento, historicamente, sustentou a proibição dos cassinos no país. Este foi em 1946, quando o eneral Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil na época, determinou o fim da legalização dos jogos de azar no país.
Com o objetivo de apoiar a discussão do Projeto de Lei nº 2.234, o Instituto de Pesquisa DataSenado realizou uma pesquisa nacional a pedido do senador Irajá (PSD/TO), para captar a opinião da população brasileira sobre a legalização de jogos como cassinos, bingos e o jogo do bicho. O levantamento foi conduzido entre os dias 21 de fevereiro e 1º de março de 2025, com a participação de 5.039 brasileiros com 16 anos ou mais, entrevistados por telefone, num universo estimado de mais de 170 milhões de pessoas.
60% dos brasileiros, o equivalente a aproximadamente 102,2 milhões de pessoas, declararam apoio à proposta de legalização dos jogos de azar. Em contrapartida, 34% se posicionaram contra a medida. Quando questionados sobre os possíveis efeitos econômicos, 58% dos entrevistados (cerca de 99,8 milhões de pessoas) acreditam que a legalização de jogos e cassinos contribuiria para o aumento da arrecadação de impostos no país. Para 22%, a mudança não teria impacto significativo na receita tributária, enquanto apenas 9% enxergam a possibilidade de redução na arrecadação.
No que diz respeito à geração de empregos, 44% da população (aproximadamente 75,8 milhões de pessoas) avaliam que a legalização e a instalação de cassinos poderiam estimular o mercado de trabalho, ampliando as oportunidades de emprego no Brasil. A preocupação com a integridade do sistema financeiro também foi evidente: 82% dos brasileiros consideram “muito importante” (65%) ou, pelo menos, “importante” (17%) que sejam adotadas regras rigorosas para evitar que empresas do setor sejam utilizadas para a lavagem de dinheiro e o financiamento de atividades criminosas.
Com esta medida em standby no Senado brasileiro, com adiamentos e “empurrões” para o ano seguinte, resta esperar novidades em breve. A legalização dos cassinos físicos no Brasil poderia seguir de mão dadas com a legalização das apostas de quota fixa, de forma a que se impulsionasse o desenvolvimento económico a um outro nível, através da geração de empregos e ainda do combate ao mercado ilegal de jogos de azar.