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Politica de PrivacidadeCom a chegada do 13º salário, muitas famílias ganham um reforço importante no orçamento. O recurso, no entanto, costuma chegar em um período marcado por compras de fim de ano e pela proximidade de despesas do início do ano seguinte. Sem planejamento, decisões tomadas em poucas semanas podem consumir o benefício antes que ele cumpra objetivos mais importantes.
Pela legislação trabalhista, o 13º salário é pago em duas parcelas: a primeira entre fevereiro e 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. O cálculo considera a remuneração e os meses trabalhados no ano, e parcelas salariais como horas extras, adicionais e comissões também podem integrar a conta.
Para Heider de Paula Rodrigues da Silva, coordenador do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, entender quanto efetivamente será recebido é o primeiro passo para organizar o uso do recurso. “O 13º salário deve ser tratado como parte do planejamento financeiro, e não como um dinheiro sem destino. Antes de assumir novas despesas, é importante conhecer os valores disponíveis, as obrigações já existentes e os gastos que chegarão nos próximos meses”, orienta.
A seguir, confira os principais erros que podem comprometer o orçamento.
Antecipar compras contando com um valor ainda não recebido pode levar a compromissos maiores do que a renda disponível. O valor do benefício varia conforme remuneração, período trabalhado e outras verbas que integrem o cálculo.
Um erro comum é planejar o orçamento como se os dois pagamentos fossem idênticos. O trabalhador deve conferir seu demonstrativo e considerar o valor líquido efetivamente disponível antes de distribuir o dinheiro entre compras, dívidas e reservas, pois a primeira parcela é maior pelo fato de vir livre de impostos. Na segunda, por outro lado, há desconto relacionado ao valor total.
Presentes, viagens e confraternizações podem elevar rapidamente os gastos de novembro e dezembro. Destinar todo o benefício ao consumo imediato reduz a margem para compromissos já previstos e para imprevistos.

Janeiro costuma concentrar despesas recorrentes e sazonais. Reservar antecipadamente parte do 13º para compromissos conhecidos ajuda a evitar que essas contas sejam transferidas para cartão de crédito, cheque especial ou novos empréstimos.
Quem já possui parcelas atrasadas ou dívidas com juros elevados deve analisar o custo desse endividamento antes de assumir novos compromissos. Comparar saldo devedor, juros e condições de negociação permite decidir se parte do benefício pode ser usada para reorganizar as finanças.
O parcelamento reduz o desembolso imediato, mas cria prestações que continuarão depois das festas. Antes de contratar uma compra parcelada, é importante somar as prestações já existentes e verificar quanto da renda futura ficará comprometida.
Uma estratégia simples é separar o 13º por prioridades: primeiro as despesas essenciais e compromissos já assumidos. Posteriormente, eventual reorganização de dívidas e formação de reserva e, só então, gastos de consumo e lazer. A divisão deve respeitar a realidade financeira de cada família.
“Não existe uma única forma correta de usar o benefício. O ponto principal é tomar a decisão olhando o orçamento completo. Quando o trabalhador conhece suas obrigações e evita comprometer antecipadamente a renda dos meses seguintes, o 13º pode servir para dar mais equilíbrio às finanças”, afirma Heider de Paula Rodrigues da Silva.
Por Letícia Zuim Gonzalez




