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Politica de PrivacidadeSede que não passa, fome constante e idas frequentes ao banheiro podem parecer sintomas isolados do dia a dia. Mas, quando aparecem juntos, e em alguns casos acompanhados de perda de peso inexplicada, formam um conjunto clássico conhecido na medicina como os “4 Ps” do diabetes:
“Os ‘4 Ps’ são mais frequentemente associados ao diabetes tipo 1, condição em que há deficiência absoluta de insulina, e os sintomas tendem a surgir de forma rápida e intensa. No entanto, também podem estar presentes no diabetes tipo 2, especialmente em fases mais avançadas ou quando o controle glicêmico está muito inadequado”, explica a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).
A médica explica que estar atento aos sintomas é fundamental para um diagnóstico precoce. “Esses sinais funcionam como um verdadeiro ‘alarme metabólico’ do organismo. Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para evitar complicações. Muitas pessoas convivem com a diabetes sem diagnóstico, e o corpo costuma dar sinais claros quando os níveis de glicose no sangue estão desregulados”, alerta.
A Dra. Deborah Beranger explica que os “3 Ps” aparecem na fisiopatologia do diabetes como um efeito dominó bioquímico. “A poliúria (urinar em excesso) ocorre, pois, quando a glicose no sangue está elevada, os rins tentam eliminar esse excesso pela urina. A glicose ‘puxa’ água junto, aumentando o volume urinário”, diz.
Segundo ela, devido à perda de líquidos, o organismo entra em estado de desidratação, estimulando a sede intensa, que é chamada de polidipsia. “E, por fim, apesar do excesso de glicose circulante, as células não conseguem utilizá-la adequadamente por falta ou resistência à insulina. É como se o corpo estivesse ‘faminto em meio à abundância’, o que configura a polifagia”, acrescenta.
Por fim, acontece o último e quarto “P”. “A perda de peso, que completa os “4 Ps”, ocorre porque o organismo passa a utilizar reservas de gordura e massa muscular como fonte alternativa de energia”, completa.
A médica explica que, quando os sintomas aparecem no diabetes tipo 2, eles podem ser sutis no começo. “Por isso, exames de rotina são fundamentais, principalmente para pessoas com fatores de risco, como excesso de peso, sedentarismo e histórico familiar”, alerta.
O diabetes mellitus é marcado por um desequilíbrio no metabolismo da glicose, envolvendo dois mecanismos principais: deficiência de insulina e resistência à insulina. “A deficiência de insulina ocorre no caso da diabetes tipo 1, quando há destruição autoimune das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção do hormônio; na resistência à insulina, característica da diabetes tipo 2, o organismo até produz insulina, mas as células não respondem adequadamente a ela”, diferencia a Dra. Deborah Beranger.
O resultado, em ambos os casos, é a hiperglicemia crônica, que ao longo do tempo pode causar danos a vasos sanguíneos, nervos, rins e olhos.

A endocrinologista explica que o controle do “diabetes exige uma abordagem multifatorial, que combina tratamento farmacológico e mudanças consistentes no estilo de vida”, ressalta. Segundo ela, as principais formas de manter a condição sob controle são:
A especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais do corpo. “Hoje sabemos que o diabetes pode ser bem controlado quando o paciente participa ativamente do tratamento. Informação e diagnóstico precoce fazem toda a diferença”, reforça a endocrinologista.
É fundamental estar atento aos sinais da doença. “Ignorar sintomas como sede excessiva, fome constante e aumento da frequência urinária pode atrasar o diagnóstico e favorecer o aparecimento de complicações mais graves. Se esses sinais fizerem parte da rotina, a orientação é procurar avaliação médica”, finaliza a Dra. Deborah Beranger.
Por Maria Claudia Amoroso