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Politica de PrivacidadeCom a chegada da Copa do Mundo, o clima de competição toma conta das conversas, das redes sociais e até mesmo das quadras e campos espalhados pelo país, onde muita gente volta a calçar a chuteira depois de um longo período parado. Esse movimento, apesar de empolgante, acende um alerta: a retomada repentina do futebol, sem preparo físico adequado, pode aumentar de forma significativa o risco de lesões, que podem comprometer a saúde e afastar praticantes do esporte por semanas ou até meses.
“O futebol é uma atividade que exige mudanças rápidas de direção, acelerações, desacelerações e contato físico. Quando o praticante não está adequadamente condicionado, o risco de lesão aumenta significativamente”, explica o ortopedista e traumatologista Dr. Luis Marcelo Muller, do Hospital Regina.
Entre os principais fatores de risco, está o perfil conhecido como “atleta de fim de semana“, ou seja, aquela pessoa que passa boa parte da semana sedentária e concentra esforços intensos em uma única partida. A combinação de falta de condicionamento, aquecimento insuficiente, poucas horas de sono e, em alguns casos, consumo de álcool antes da atividade cria um cenário propício para lesões musculares e articulares.
A escolha dos equipamentos também influencia diretamente na segurança durante a prática esportiva. Chuteiras inadequadas e campos em más condições aumentam o risco de quedas, torções e lesões ligamentares. O alerta vale inclusive para gramados sintéticos, que exigem cuidados específicos de manutenção para oferecer condições seguras aos atletas.
Segundo o Dr. Luis Marcelo Muller, as lesões mais frequentes no futebol recreativo afetam principalmente os membros inferiores. Entre os problemas mais comuns observados nos atendimentos, estão:

Quando uma lesão acontece durante a partida, a orientação é interromper imediatamente a atividade e adotar medidas simples de primeiros socorros. O protocolo conhecido como PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação do membro afetado) ajuda a controlar a dor e o inchaço nas primeiras horas após o trauma. No entanto, situações que envolvam incapacidade de caminhar, deformidades, instabilidade articular ou dor intensa exigem avaliação médica imediata.
Outro ponto importante é evitar negligenciar sintomas aparentemente leves. Entorses graves de tornozelo, rupturas ligamentares, fraturas não diagnosticadas e até lesões musculares importantes podem deixar sequelas permanentes quando não recebem tratamento adequado. “Muitas pessoas acreditam que a dor vai desaparecer sozinha e continuam jogando. Esse comportamento pode transformar uma lesão simples em um problema crônico e dificultar o retorno ao esporte”, alerta o especialista do Hospital Regina.
Grande parte das lesões pode ser evitada com medidas relativamente simples: aquecimento nos 15 minutos que antecedem a atividade, prática regular de exercícios físicos, fortalecimento muscular, hidratação adequada e períodos suficientes de descanso são algumas das estratégias mais eficazes para reduzir os riscos.
Retomar o contato com a bola aos poucos é outra recomendação válida. “Começar com controle de bola, dribles e chutes a gol. Depois, iniciar jogos de pequenas durações e, assim, evoluir progressivamente. Para evitar lesões, é essencial adequar intensidade e regularidade nesse início”, destaca o ortopedista Emerson Garms, do Hospital Santa Catarina – Paulista.
Por Nadja Cortes