Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeA preparação para o vestibular segue sendo um dos períodos mais desafiadores para estudantes brasileiros, marcada por pressão, ansiedade e longas jornadas de estudo. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), mais de 1,3 milhão de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 eram concluintes do ensino médio da rede pública, o que reforça a dimensão da concorrência e a importância do exame como porta de entrada para o ensino superior no país.
Nesse cenário, a preparação vai muito além do conteúdo. Organização, saúde mental e constância são fatores decisivos para manter o rendimento ao longo do tempo. Para a psicóloga Gabriela Rudnik, presidente do Instituto Fliegen, projeto social que ajuda estudantes de escolas públicas a se prepararem para olimpíadas do conhecimento, o erro mais comum é acreditar que o processo precisa ser baseado em exaustão.
“Muitos estudantes começam já acreditando que vão precisar abrir mão da saúde mental, do descanso e até da própria identidade para conseguir aprovação, e isso costuma gerar um desgaste muito grande logo no início”, explica.
A seguir, a psicóloga lista orientações práticas para uma preparação mais eficiente e equilibrada. Veja!
Antes de montar um cronograma, é importante que o estudante desenvolva autoconhecimento. Entender como aprende melhor, quais são suas dificuldades, como lida com a pressão e qual é sua realidade emocional faz toda a diferença para construir uma preparação mais sustentável. Quando o estudante passa a se observar com mais consciência e reduz as comparações, consegue criar uma rotina mais possível e menos desgastante.
Uma rotina eficiente não é aquela que ocupa todas as horas do dia, mas, sim, aquela que pode ser mantida ao longo do tempo. O ideal é criar uma organização realista, respeitando limites físicos e emocionais. Muitos estudantes montam cronogramas rígidos e acabam frustrados por não conseguirem cumprir. Por isso, é importante equilibrar estudo, descanso, lazer, alimentação e sono, além de trabalhar com pequenas metas diárias, que ajudam a reduzir a ansiedade e manter a constância.
A ansiedade costuma aparecer quando o estudante sente que todo o seu valor está condicionado ao resultado da prova. Por isso, é fundamental separar desempenho acadêmico de valor pessoal. O vestibular é importante, mas não define inteligência, competência ou futuro. Algumas estratégias podem ajudar nesse processo, como manter uma rotina organizada, reduzir comparações, praticar atividade física e buscar formas de regulação emocional.

Um dos erros mais comuns é estudar por muitas horas sem qualidade, acreditando que quantidade significa produtividade. Também é frequente a comparação constante com outros estudantes, sem considerar que cada pessoa tem um ritmo e uma realidade diferentes. Além disso, negligenciar sono, alimentação e descanso impacta diretamente a memória, a concentração e o desempenho cognitivo.
Muitos estudantes acreditam que precisam estar motivados para começar a estudar, mas, na prática, a motivação muitas vezes aparece depois da ação. O que sustenta uma preparação ao longo do tempo não é a motivação constante, mas o compromisso com o próprio objetivo e a capacidade de continuar mesmo em dias mais difíceis.
A constância está muito mais ligada à disciplina possível do que à cobrança extrema. Criar horários organizados, estabelecer metas alcançáveis e manter o hábito de estudar, mesmo em dias de pouca vontade, faz toda a diferença. Também é importante celebrar pequenas conquistas ao longo do processo e entender que ter dias ruins faz parte, desde que isso não leve à desistência.
O descanso não deve ser visto como um prêmio, mas como parte essencial da preparação. Sono e pausas adequadas são fundamentais para memória, aprendizagem, concentração e equilíbrio emocional. Quando o estudante vive em exaustão constante, o cérebro entra em sobrecarga, o que pode aumentar a ansiedade e prejudicar o desempenho. Preparar-se bem também envolve saber descansar.
Por Ana Karoline Moreira