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Politica de PrivacidadeSinal do processo de amadurecimento infantil, a birra, popularmente chamada de “adolescência dos bebês”, é mais comum no período entre um ano e meio e três anos, fase em que a criança já tem desejos, sente e imagina, mas ainda não possui linguagem e autorregulação emocional suficientes para expressá-los e lidar com frustrações.
Para a psicopedagoga e especialista em desenvolvimento infantil Paula Furtado, este não é um momento para ser combatido, mas compreendido tanto pelos pais quanto pelos educadores. “Buá” é um livro de sua autoria, que explica como acolher o choro, dar nome às emoções e ajudar tanto os pequenos quanto os adultos a atravessarem essa fase de descobertas com mais segurança. “Presença, limites firmes e afeto são o que os pequenos mais precisam nesse momento. Quando a gente entende o que está por trás do comportamento, a relação muda”, orienta.
Paula Furtado lista algumas dicas que ajudam a amenizar as birras das crianças no dia a dia:
A profissional orienta os educadores a adotarem uma postura acolhedora, sem expor a criança, mantendo limites claros, empáticos e ajudando a nomear as emoções. “Medidas punitivas ou a retirada da criança da sala não cumprem um papel educativo. A escola, assim como a família, é um espaço essencial para o desenvolvimento emocional”, explica.

A birra deixa de ser esperada quando interfere de forma significativa na vida da criança. Quando é muito intensa ou frequente, se prolonga ou vem acompanhada de agressividade extrema, atraso no desenvolvimento ou grande sofrimento da criança e da família, e os pais devem buscar apoio profissional. Confundir crises emocionais com birra é uma situação comum que pode levar a abordagens inadequadas por parte dos adultos.
Em casos como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), por exemplo, a crise não é uma escolha consciente da criança, enquanto a birra costuma ter uma intenção comunicativa ou de testagem de limites. De acordo com Paula Furtado, ao interpretar todas as manifestações como birra, o adulto tende a reagir com punições, broncas ou exposição, e essas atitudes intensificam a desorganização emocional da criança e dificultam o processo educativo.
Por Elenice Cóstola