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Em 15 de julho, é celebrado o Dia Nacional da Tapioca. A data homenageia um dos alimentos mais tradicionais da culinária brasileira, especialmente na região Nordeste, onde não pode faltar à mesa. Protagonista do auge da alimentação “fit”, a tapioca passou a dividir espaço com outras tendências nutricionais nas dietas, mas permanece como um alimento versátil que, quando consumido de forma equilibrada e com recheios nutritivos, pode integrar uma alimentação saudável.
A tapioca é produzida a partir da mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira. O alimento passa por diversos processos para que o amido se separe do líquido, sendo posteriormente seco e peneirado, dando origem à goma hidratada, encontrada nos supermercados. Quando aquecida, essa goma se une de forma natural e dá origem aos famosos discos de tapioca.
“Por ser uma fonte de carboidrato de rápida digestão, a tapioca fornece energia de maneira prática e pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. No entanto, apresenta baixo teor de fibras e de alguns micronutrientes”, explica a Prof.ᵃ Dra. Isolda Prado, nutróloga, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e professora de Nutrologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Porém, é possível deixar a tapioca mais nutritiva, de modo que contribua efetivamente para a saúde e o bem-estar. “O ideal é combiná-la com ingredientes nutritivos, ricos em proteínas, fibras e gorduras saudáveis. Essa associação aumenta a saciedade, melhora o perfil nutricional da refeição e favorece combinações alimentares mais conscientes”, acrescenta a médica.
A seguir, a Prof.ᵃ Dra. Isolda Prado explica como incluir a tapioca de maneira equilibrada e saudável na alimentação. Confira!
O senso comum costuma dizer que a tapioca é mais saudável que o pão. No entanto, não se pode dizer que um alimento é mais saudável que o outro, sem considerar a composição nutricional e a forma de consumo. A tapioca é, naturalmente, isenta de glúten, o que representa uma vantagem para pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. Porém, é composta basicamente por carboidratos e apresenta baixo teor de fibras.
Por outro lado, alguns tipos de pão, como os integrais, fornecem mais fibras, promovem maior saciedade e ajudam no controle da glicemia. “A escolha entre tapioca e pão deve levar em conta as necessidades e os objetivos de cada pessoa, além de escolhas inteligentes nas combinações de recheios”, explica a Prof.ᵃ Dra. Isolda Prado.
A tapioca pode ser incluída em uma estratégia de emagrecimento, desde que seja consumida em quantidades adequadas e como parte de um plano alimentar equilibrado. Por ter digestão relativamente rápida e menor teor de fibras, o alimento pode gerar menor saciedade quando consumida isoladamente, favorecendo o aumento da ingestão calórica ao longo do dia.
Daí a recomendação de sempre combiná-la com fontes de proteínas e fibras, justamente para prolongar a sensação de saciedade. “O que favorece ou dificulta a perda de peso não é um alimento isolado, mas o conjunto da alimentação e o estilo de vida”, alerta a nutróloga.
Para equilibrar a quantidade de carboidratos da refeição com a tapioca, é preciso pensar no prato como um todo e de forma equilibrada. Se a tapioca for a principal fonte de carboidrato da refeição, é importante não exagerar no consumo de outros alimentos ricos em carboidratos, como batata, sucos açucarados, bolos, biscoitos ou grandes porções de frutas.

Ovo mexido ou omelete, frango desfiado, queijos magros como ricota e cottage, atum, queijo branco com tomate, banana com canela e chia, pasta de amendoim em pequenas quantidades e abacate com sementes são ótimas opções para tornar a tapioca mais saborosa e nutritiva. “Também é possível enriquecer a própria massa da tapioca com a adição de chia, linhaça ou farelo de aveia, que contribuem para um maior teor de fibras”, acrescenta a médica.
Pessoas com diabetes podem consumir a tapioca, mas com moderação e planejamento. Isso porque o alimento possui índice glicêmico relativamente elevado, o que pode aumentar a glicemia mais rápido, quando consumido isoladamente.
“O ideal é controlar a porção, evitar recheios ricos em açúcares, preferir combinações que retardem a absorção da glicose, como frango, ovos, queijos magros e sementes, e sempre seguir a orientação individualizada de um profissional de saúde”, explica a nutróloga.
A tapioca é um alimento seguro para a maioria das pessoas, mas alguns grupos devem consumi-la com maior atenção: pessoas com diabetes ou resistência à insulina, indivíduos com hipertrigliceridemia e, embora seja incomum, pessoas alérgicas à mandioca. Nesses casos, o alimento deve ser evitado.
Por Edna Vairoletti
