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Politica de PrivacidadeA relação dos profissionais com a formação está mudando. Se durante décadas a graduação foi vista como principal etapa de preparação para o mercado de trabalho, a necessidade de atualização constante vem transformando a qualificação em um processo contínuo. Cursos de curta duração, congressos, eventos profissionais e conteúdos digitais passam a fazer parte da trajetória de quem precisa acompanhar mudanças cada vez mais rápidas nas diferentes áreas de atuação.
Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, elaborado pelo Senai, o Brasil precisará qualificar 14 milhões de profissionais até 2027, sendo 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões em ações de requalificação de trabalhadores que já estão empregados.
“Durante muito tempo, a formação profissional foi pensada como uma etapa que antecedia a entrada no mercado. Hoje, ela precisa acompanhar a carreira. O profissional não pode mais esperar alguns anos para voltar a estudar, porque as competências exigidas pelo mercado também mudam nesse intervalo”, afirma Luiz Gustavo Borges, CEO e fundador da Congresse.me, EdTech voltada à realização de congressos e eventos 100% online.
A transformação também aparece na maneira como os brasileiros acessam a educação. No país, 66,8% dos 5 milhões de ingressantes no ensino superior em 2024 entraram por cursos a distância, segundo a edição 2026 do Mapa do Ensino Superior, elaborado pelo Instituto Semesp com base no Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Entre 2023 e 2024, as matrículas em cursos a distância no Brasil cresceram 5,6%, enquanto as presenciais recuaram 0,5%. Com isso, o Ensino a Distância (EAD) passou pela primeira vez a responder pela maior parte do estoque total: são 10,2 milhões de matrículas, sendo 50,7% a distância e 49,3% presenciais.
Para Luiz Gustavo Borges, o comportamento observado no ensino superior ajuda a entender também a expansão de outros formatos de aprendizagem. “O digital não substituiu necessariamente a experiência presencial, mas mudou a expectativa do público. As pessoas passaram a buscar conhecimento que possa ser acessado de acordo com sua rotina, seja em um evento, em uma aula gravada, em um curso ou em uma combinação desses formatos”, explica.

O crescimento acelerado do setor, especialmente durante a pandemia da covid-19, trouxe ao mercado soluções e conteúdos de baixa qualidade, o que desgastou a percepção do evento digital. Com isso, ficou evidente que não bastava oferecer a transmissão, mas também construir experiências relevantes.
Paralelamente, o crescente aumento dos custos com equipes de tecnologia, design, marketing e operações surgia como uma barreira. Nesse cenário, a inteligência artificial e outras ferramentas digitais passaram a atuar como aliadas dos organizadores, produtores de conteúdo e empresas que precisam operar com mais agilidade e integração.
Na criação, por exemplo, é possível transformar informações básicas ou um vídeo gravado em páginas profissionais, com conteúdo, módulos, área de acesso, checkout, certificado e materiais de comunicação organizados. Na divulgação, esses recursos geram textos, artes e conteúdo para redes sociais, e-mail e WhatsApp. Já na entrega, fazem transcrições e traduções e convertem aulas gravadas em apresentações e e-books de apoio.
“Hoje é possível em poucos minutos criar a primeira estrutura de um produto, podendo ir ao ar no mesmo dia, o que reduz custos e abre espaço para que especialistas e instituições foquem as informações, levando seu conhecimento ao público sem depender de grandes estruturas”, pontua Luiz Gustavo Borges.
A expansão dos formatos digitais também tem impacto sobre profissionais que vivem fora dos grandes centros urbanos. Eventos online, aulas gravadas e plataformas de conhecimento permitem que especialistas e profissionais de diferentes regiões se conectem sem que o deslocamento seja necessariamente uma barreira.
“Quando um especialista consegue compartilhar conhecimento com pessoas de diferentes cidades ao mesmo tempo, a geografia deixa de ser um limitador tão forte. Isso é especialmente relevante para quem está no interior e nem sempre tem acesso presencial às mesmas oportunidades de formação disponíveis nas grandes cidades”, destaca o executivo.
Por Leonardo Guariso




