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Politica de PrivacidadeEm um cenário em que o repertório sociocultural ganhou importância na construção da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), a escolha das leituras assume papel estratégico na formação dos estudantes. Mais do que dominar a escrita, é necessário articular ideias, referências e visões de mundo, e a literatura segue como uma das principais fontes para essa construção.
A própria Cartilha do Participante do Enem 2026, divulgada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), reforça que o repertório sociocultural pode ser formado por informações, fatos, citações ou experiências relacionadas ao tema e capazes de contribuir para a argumentação. O documento também alerta para o chamado “repertório de bolso”, formado por referências decoradas e utilizadas de maneira genérica ou forçada. Para o Inep, o repertório precisa ser pertinente, bem contextualizado e articulado aos argumentos.
“Mais importante do que acumular uma lista de autores e citações é desenvolver a capacidade de compreender aquilo que foi lido. Uma obra literária pode oferecer diferentes possibilidades de interpretação, mas o estudante precisa saber identificar qual aspecto daquela obra realmente dialoga com o tema proposto e, principalmente, explicar essa relação”, explica Taís Guimarães, pedagoga da Legacy School.
A seguir, confira algumas possibilidades de obras literárias:

Considerado um dos maiores romances da literatura brasileira, o livro aborda temas como ética, violência, identidade e complexidade humana. Sua narrativa densa e filosófica permite múltiplas interpretações e abre possibilidades para discussões sobre moralidade, escolhas e sociedade.

A obra traz à tona questões estruturais do Brasil, como desigualdade social, racismo, acesso à terra e invisibilidade de comunidades rurais. Com linguagem envolvente e forte carga social, permite discutir questões relacionadas à cidadania e aos direitos.

Essa obra permanece como uma das narrativas mais impactantes sobre desigualdade e exclusão social no país. Escrito em forma de diário, o livro oferece um retrato direto da vida na favela e permite discutir questões relacionadas à pobreza, dignidade e políticas públicas.

A obra apresenta uma história simbólica que dialoga com temas universais como dor, empatia e recomeço. A narrativa acompanha Arthur, um menino humilde que vive em uma pequena cidade e que acaba se aproximando de um paisagista solitário e misterioso, conhecido na vizinhança como “Velho das Areias”.
A amizade improvável entre os dois se desenvolve entre lições sobre a vida, a natureza e a capacidade humana de transformar a dor em beleza. A história constrói uma fábula contemporânea sobre empatia, superação e amadurecimento. Entre jardins e flores raras, o livro aborda ainda perdas, preconceito, luto, solidão, dignidade e formação de valores, mostrando como experiências dolorosas podem se transformar em aprendizado e como gestos de bondade podem mudar destinos.
Para estudantes que se preparam para o Enem, essas obras podem contribuir para ampliar o repertório a partir de diferentes perspectivas. O ponto não está apenas em conhecer a história, mas em compreender as ideias presentes na narrativa e saber relacioná-las de forma pertinente ao tema discutido na redação. Nesse processo, a leitura deixa de ser apenas uma forma de conhecer novas histórias e passa a fazer parte da própria formação do estudante, ajudando-o a construir argumentos a partir de diversas referências.
Por Caroline Soares




