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No inverno, muitas pessoas relatam um aumento da fome e uma vontade maior de consumir doces, massas, chocolates e preparações mais calóricas. Como consequência, é comum ocorrer um ganho de peso nesse período, especialmente quando esses alimentos passam a fazer parte da rotina com mais frequência.
Apesar de ser frequentemente atribuído ao frio, segundo o nutricionista Lucas Moraro, o ganho de peso nessa época do ano é resultado de um conjunto de fatores fisiológicos, comportamentais e ambientais, e não apenas das baixas temperaturas. “O que realmente acontece é uma combinação de fatores que favorecem o aumento do consumo de alimentos”, explica.
Em condições de frio intenso e exposição prolongada a baixas temperaturas, o organismo pode aumentar o gasto energético para manter a temperatura corporal por meio da produção de calor (termogênese). No entanto, essa situação é pouco comum no dia a dia da maioria das pessoas, que passam grande parte do tempo em ambientes fechados, aquecidos ou utilizando roupas que reduzem a perda de calor. Portanto, esse aumento do gasto calórico costuma ser pequeno e, na prática, não justifica um aumento importante da ingestão alimentar.
Um dos fatores que podem favorecer o ganho de peso é a redução da exposição à luz solar, que interfere no ritmo circadiano e pode influenciar neurotransmissores relacionados ao humor, como a serotonina. Com isso, algumas pessoas passam a sentir maior desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura, que promovem sensação imediata de prazer e conforto.
Outro aspecto importante é o comportamento alimentar. No inverno, é comum reduzir a prática de atividade física, permanecer mais tempo em casa e aumentar o consumo de preparações tradicionalmente mais calóricas, como chocolates, fondues, massas, bebidas açucaradas e sobremesas. Esse padrão alimentar, associado ao menor gasto energético diário, favorece o ganho de peso ao longo da estação.
Além disso, refeições quentes costumam trazer maior sensação de conforto emocional. Esse fenômeno está relacionado tanto a fatores culturais quanto à ativação de circuitos cerebrais ligados à recompensa, fazendo com que muitas pessoas recorram aos alimentos como estratégia para aliviar o desconforto do frio ou do estresse.
Para manter o equilíbrio alimentar durante o inverno, não é necessário deixar de consumir refeições quentes ou alimentos típicos da estação. A estratégia está em fazer escolhas mais conscientes, controlar as quantidades e manter hábitos saudáveis ao longo do período. Confira algumas orientações práticas do nutricionista Lucas Moraro:
Preparações como sopas, caldos e cremes podem ser excelentes opções quando incluem fontes de proteína (frango, carne magra, ovos ou leguminosas), vegetais variados e carboidratos de boa qualidade.
As proteínas aumentam a saciedade e ajudam no controle da ingestão alimentar entre as refeições.
Frutas, verduras, legumes e cereais integrais auxiliam no controle da glicemia, prolongam a saciedade e contribuem para uma alimentação mais equilibrada.

Apesar da menor sensação de sede durante o inverno, a ingestão insuficiente de líquidos pode ser confundida com fome e prejudicar o funcionamento do organismo.
Mesmo que seja necessário adaptar os horários ou optar por ambientes cobertos, manter a prática de atividade física ajuda a preservar a massa muscular e o gasto energético diário.
Antes de recorrer a doces ou lanches calóricos, avalie se a fome é fisiológica ou se está relacionada ao tédio, ao estresse ou à busca por conforto.
Não é preciso abrir mão das refeições típicas do inverno. O segredo está nas quantidades, na qualidade dos ingredientes e na composição equilibrada do prato.
De acordo com Lucas Moraro, o inverno não faz, por si só, as pessoas engordarem. O ganho de peso está muito mais relacionado às mudanças de comportamento que costumam ocorrer nessa época do ano do que a uma necessidade fisiológica de consumir muito mais calorias.
Com planejamento alimentar, escolhas equilibradas e manutenção de hábitos saudáveis, é perfeitamente possível aproveitar as refeições típicas da estação sem comprometer o controle do peso ou a saúde.
Por Adriana Quintairos