Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeO ponto alto da campanha Julho Amarelo é o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, que chama a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das hepatites virais, doenças que atingem o fígado e provocam processos inflamatórios ou infecciosos. Existem cinco vírus responsáveis pela doença: A, B, C, D e E. Dependendo do tipo, a infecção pode evoluir para formas crônicas, silenciosas e graves.
As hepatites virais representam um importante problema de saúde pública em todo o mundo devido ao elevado número de casos, complicações e mortes associadas à doença. “Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais provocam cerca de 1,3 milhão de mortes por ano, principalmente por cirrose e câncer de fígado, e 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus das hepatites B ou C”, alerta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 2026.
Conforme o médico, a OMS estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, reduzindo em 90% as novas infecções e em 65% as mortes relacionadas à doença. “No entanto, o cenário ainda exige atenção. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações mais graves”, acrescenta.
Segundo o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, a hepatite A merece atenção especial devido ao aumento significativo da sua incidência no Brasil, sobretudo entre adultos jovens. Conforme o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, a taxa de detecção passou de 0,4 caso por 100 mil habitantes, em 2022, para 1,7 caso por 100 mil habitantes, em 2024, um crescimento de aproximadamente 325%.
“Esse tipo de infecção ocorre pela via fecal-oral e está diretamente relacionado ao consumo de água contaminada, alimentos manipulados sem higiene adequada, frutas e hortaliças lavadas de forma imprópria, frutos do mar crus ou com cozimento insuficiente, provenientes de áreas contaminadas, e ao contato próximo com pessoas infectadas”, explica o médico.
Esse avanço reforça a importância de intensificar as medidas de prevenção. “A prevenção é possível com práticas simples no dia a dia. Além disso, o cuidado com a alimentação vai além da prevenção da hepatite A, pois uma dieta equilibrada ajuda a preservar a saúde do fígado, contribui para a manutenção do estado nutricional e favorece uma melhor resposta ao tratamento das hepatites virais”, afirma.
No mundo, estima-se que ocorram cerca de 1,5 milhão de casos clínicos de hepatite A por ano. Como grande parte das infecções é assintomática, o número real de casos é significativamente superior. A doença permanece endêmica em regiões com saneamento inadequado, principalmente na África, Ásia e em partes da América Latina.
A combinação do histórico clínico (anamnese), do exame físico e de testes laboratoriais permite confirmar o diagnóstico das hepatites virais. Muitas vezes, exames sorológicos e moleculares são necessários para identificar o tipo de vírus e o estágio da infecção.
Na fase aguda, independentemente do tipo de hepatite viral, podem surgir náuseas, vômitos, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, dor abdominal, cansaço e mal-estar. Nas hepatites que podem evoluir para a forma crônica (principalmente B, C e D), os sintomas costumam ser raros e, geralmente, só aparecem quando o fígado já apresenta comprometimento importante, como nos casos de cirrose.

As hepatites virais apresentam diferentes formas de transmissão, evolução clínica e possibilidades de tratamento. Veja abaixo.
A hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes que contenham o vírus, além do contato direto com pessoas infectadas ou com objetos contaminados. Por esse motivo, regiões com saneamento básico precário apresentam maior risco de disseminação da doença. Na maioria dos casos, evolui para a cura espontânea, sem se tornar uma infecção crônica.
A hepatite B é uma infecção viral transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas, pelo contato com sangue contaminado — como no compartilhamento de seringas e agulhas ou no uso de materiais perfurocortantes e instrumentos não esterilizados — e da mãe para o bebê durante a gestação ou, principalmente, no momento do parto.
Embora muitas pessoas eliminem o vírus espontaneamente após a infecção aguda, os casos que evoluem para a forma crônica, em geral, não têm cura definitiva. No entanto, a doença pode ser controlada com medicamentos antivirais, que ajudam a reduzir a multiplicação do vírus e diminuem significativamente o risco de complicações, como cirrose e câncer de fígado.
A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, especialmente por meio do compartilhamento de seringas, agulhas, objetos perfurocortantes ou instrumentos não esterilizados. Embora a transmissão sexual seja menos frequente, ela pode ocorrer, sobretudo entre pessoas com múltiplos parceiros ou que tenham outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Também existe a possibilidade de transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, embora esse tipo de contágio seja menos comum.
Atualmente, a hepatite C é considerada uma das hepatites virais com melhor perspectiva de tratamento, apresentando taxas de cura superiores a 95% com o uso dos antivirais de ação direta, especialmente quando o diagnóstico é realizado precocemente e o tratamento é iniciado de forma adequada.
A hepatite D é uma infecção causada por um vírus que só consegue se desenvolver em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B. Sua transmissão acontece pelas mesmas vias da hepatite B, incluindo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e transmissão da mãe para o bebê. Atualmente, não existe cura definitiva para a hepatite D. No entanto, a principal forma de prevenção é a vacinação contra a hepatite B, que impede a infecção pelo vírus B e, consequentemente, também protege contra a hepatite D.
A hepatite E é transmitida principalmente pela via fecal-oral, de forma semelhante à hepatite A, sendo a ingestão de água contaminada a principal forma de infecção. Em alguns países, especialmente onde a doença é mais frequente, o contágio também pode estar relacionado ao consumo de carne suína ou de animais silvestres malcozida.
Na maioria dos casos, a infecção evolui para a cura espontânea, sem se tornar crônica. No entanto, a hepatite E pode apresentar formas mais graves em gestantes, principalmente durante o terceiro trimestre da gravidez, aumentando o risco de complicações para a mãe e o bebê.
A vacinação é uma das principais estratégias para prevenir as hepatites virais. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente vacinas eficazes contra as hepatites A e B. Como a hepatite D só se desenvolve em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B, a imunização contra a hepatite B também oferece proteção indireta contra a hepatite D. Para as hepatites C e E, ainda não existem vacinas amplamente disponíveis. No caso da hepatite E, há um imunizante licenciado apenas na China, que não integra os calendários de vacinação da maioria dos países, incluindo o Brasil. P
Além da vacinação, a prevenção das hepatites virais depende da adoção de hábitos simples no dia a dia. Entre os principais cuidados, estão higienizar corretamente as mãos, os alimentos e os utensílios, consumir água tratada ou filtrada e manter boas condições de higiene, reduzindo o risco de infecções transmitidas pela via fecal-oral, como as hepatites A e E.
Também é fundamental utilizar preservativos nas relações sexuais para prevenir, especialmente, a hepatite B, além de evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes, como alicates de cutícula, lâminas, agulhas e seringas, que podem estar contaminados e transmitir os vírus das hepatites B e C.
Por Edna Vairoletti




