Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeA forma como as empresas inovam está passando por uma transformação estrutural impulsionada pela inteligência artificial (IA). Um movimento crescente tem permitido que profissionais de áreas como marketing, operações e finanças desenvolvam soluções tecnológicas sem depender diretamente de equipes de tecnologia.
Esse fenômeno, conhecido como “vibe coding”, consiste na criação de softwares a partir de comandos em linguagem natural, com a própria IA sendo responsável por gerar o código. A prática vem ganhando escala: dados do setor indicam que 63% dos usuários dessas ferramentas não são programadores.
Para o especialista em inteligência artificial Breno Lobato, essa mudança representa uma quebra de paradigma dentro das organizações. “A inovação deixou de ser um processo centralizado na tecnologia e passou a acontecer nas mãos de quem realmente entende o problema”, afirma.
A adoção já é significativa no ambiente corporativo. Estimativas apontam que 87% das empresas da Fortune 500 utilizam ao menos uma plataforma desse tipo, enquanto projeções indicam que até o fim de 2026 cerca de 60% de todo novo código será gerado por inteligência artificial.
Na prática, o impacto é direto na velocidade e na autonomia das equipes. Profissionais que antes dependiam de longos processos internos para desenvolver soluções agora conseguem criar protótipos em poucas horas, testar ideias e validar demandas antes mesmo de envolver a área de tecnologia.
“O que está acontecendo é uma inversão de lógica. Antes, a inovação passava por um funil que começava no negócio e terminava na TI. Agora, o próprio negócio já chega com soluções testadas, e a tecnologia entra para escalar”, explica Breno Lobato.
O movimento também tem impulsionado a criação dos chamados “micro apps”, aplicações desenvolvidas para resolver problemas específicos do dia a dia. Esses projetos, muitas vezes, não entrariam na fila de prioridades de departamentos de tecnologia, mas passam a ser viabilizados por quem vivencia diretamente as demandas.

Empresas globais já relatam ganhos relevantes com o uso de inteligência artificial no desenvolvimento interno. Há casos de redução significativa no tempo de criação de ferramentas e economia de milhares de horas de trabalho, reforçando o potencial da tecnologia para aumentar a eficiência operacional.
Apesar da mudança, especialistas destacam que o papel das áreas de tecnologia não desaparece — ele evolui. “A TI deixa de ser gargalo e passa a ser aceleradora. Em vez de desenvolver do zero, ela recebe protótipos já validados e atua para garantir escala, segurança e robustez”, diz Breno Lobato.
Com a ampliação do acesso às ferramentas de desenvolvimento, a expectativa é que o número de pessoas capazes de criar soluções digitais cresça exponencialmente nos próximos anos. Esse cenário tende a impactar diretamente a competitividade das empresas. “A inovação não é mais exclusividade de quem sabe programar, é de quem entende o problema e consegue transformá-lo em solução”, conclui o especialista.
Por Ana Carolina Freitas