Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeA rotina de armazenamento dos alimentos pode ter um grande impacto sobre o desperdício doméstico. Mesmo quando a compra é planejada, frutas, verduras, carnes, ovos, laticínios e preparações prontas podem perder qualidade antes de serem consumidos quando são mantidos em condições inadequadas. A questão ganha ainda mais destaque em 29 de setembro, Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos.
Produtos guardados no lugar errado, carnes cruas próximas de preparações prontas, geladeira cheia demais, frutas e verduras úmidas e alimentos esquecidos no fundo são alguns dos hábitos que podem diminuir a durabilidade dos produtos.
“Muitas vezes, o desperdício doméstico não acontece porque compramos alimentos ruins, mas porque não conseguimos armazená-los e utilizá-los no momento adequado”, explica a nutricionista Ana Lucia Ribeiro, coordenadora do curso de Nutrição do UniCuritiba.
A seguir, a especialista lista erros comuns no armazenamento de alimentos e explica como evitá-los. Confira!
A organização da geladeira não é apenas uma questão de praticidade. Como a temperatura varia entre as diferentes áreas do equipamento, escolher corretamente onde guardar cada produto contribui para sua conservação.
A porta é uma das regiões que mais sofre variações de temperatura e, por isso, deve receber itens menos sensíveis, como alguns condimentos e bebidas. Ovos e laticínios precisam permanecer refrigerados e, no caso dos ovos, o ideal é mantê-los em uma área interna da geladeira, e não na porta.
Verduras e muitos legumes devem ficar nas gavetas, preferencialmente protegidos em embalagens ou recipientes adequados. Preparações prontas ficam nas prateleiras, sempre protegidas. Já alimentos crus, especialmente carnes, precisam estar bem acondicionados e posicionados de forma que não haja risco de líquidos escorrerem sobre outros alimentos, preferencialmente nas partes inferiores da geladeira.
Aproveitar cada espaço disponível pode parecer uma boa estratégia, mas uma geladeira excessivamente cheia pode prejudicar a conservação dos alimentos. “A geladeira não deve ficar excessivamente cheia, porque o ar frio precisa circular”, orienta Ana Lucia Ribeiro. Por isso, além de evitar compras em quantidade maior do que a família consegue consumir, é importante organizar os produtos de maneira que o ar possa circular entre eles.
Nem tudo precisa ser armazenado sob refrigeração. Batata, cebola e alho, por exemplo, devem permanecer em local fresco, seco, ventilado e protegido da luz. A banana também costuma ficar melhor fora da geladeira durante o amadurecimento.
Outro cuidado importante é observar quais frutas e hortaliças ficam próximas. Banana, maçã, pera, abacate e tomate liberam mais etileno, um gás natural que acelera o amadurecimento. Quando ficam próximos de alimentos mais sensíveis, como algumas folhas, brócolis e pepino, podem acelerar sua deterioração. “Isso pode ser utilizado a nosso favor quando queremos amadurecer uma fruta mais rapidamente, mas, para aumentar a vida útil, o ideal é separá-los”, explica a nutricionista.

Esperar horas até que uma preparação esfrie completamente para só então colocá-la na geladeira não é uma boa estratégia. Sobras e preparações prontas devem ser armazenadas em recipientes limpos e fechados e, de preferência, divididas em porções menores para favorecer o resfriamento.
Como orientação doméstica geral, muitas preparações prontas refrigeradas devem ser consumidas em aproximadamente três a quatro dias. O período, porém, pode variar conforme o tipo de alimento, a forma de preparo e a temperatura de conservação. Quando não houver previsão de consumo nesse intervalo, uma alternativa é congelar a comida em porções adequadas ao consumo da família.
Lavar frutas e hortaliças e colocá-las ainda molhadas na geladeira é outro hábito que pode encurtar a vida útil desses alimentos. Isso porque o excesso de umidade favorece a deterioração.
Caso frutas, legumes e verduras sejam higienizados antes do armazenamento, é importante que estejam adequadamente secos antes de serem guardados. Também é necessário evitar alimentos sem proteção ou em embalagens inadequadas, que podem favorecer perdas e comprometer a segurança dos produtos.
Colocar as compras novas à frente dos alimentos que já estavam na geladeira ou na despensa aumenta a possibilidade de que os produtos vençam ou estraguem antes de serem consumidos. Uma estratégia simples é deixar mais visíveis os itens com menor prazo de validade ou que estão armazenados há mais tempo. Assim, eles tendem a ser utilizados primeiro. “Organizar a geladeira e a despensa, deixando na frente aquilo que precisa ser consumido primeiro, faz muita diferença. Organização também é segurança alimentar”, afirma Ana Lucia Ribeiro.
Cheiro, aparência e textura ajudam a identificar alimentos deteriorados, mas não garantem que aquilo que parece normal esteja seguro para consumo. Alterações de cor ou textura, cheiro diferente, presença de bolor e embalagens estufadas são sinais de alerta e indicam que o produto não deve ser consumido. Entretanto, alguns microrganismos capazes de causar doenças podem estar presentes sem provocar mudanças perceptíveis.
“O alimento pode parecer, cheirar e até ter sabor normal e ainda assim apresentar microrganismos capazes de causar doenças. Por isso, não devemos usar apenas os sentidos como critério”, alerta a nutricionista.
Também não é recomendado experimentar um alimento para descobrir se ele ainda está próprio para consumo. Além da aparência, devem ser considerados o prazo de validade, o tempo de armazenamento e as condições de temperatura e conservação.
Os cuidados começam antes mesmo de os alimentos chegarem à geladeira. Planejar as refeições antes de ir às compras, conferir o que já existe na despensa e na geladeira e fazer uma lista ajudam a evitar compras desnecessárias.
Adquirir quantidades compatíveis com o consumo da família, congelar porções que não serão consumidas rapidamente, reaproveitar alimentos de maneira segura e utilizar partes comestíveis normalmente descartadas são outras medidas que contribuem para diminuir o desperdício. Além de evitar que alimentos próprios para consumo acabem no lixo, esses hábitos ajudam a aproveitar melhor o dinheiro gasto no supermercado.
Por Jennifer Koppe




