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Politica de PrivacidadeDepois de uma era marcada por lábios volumosos, maçãs muito projetadas e rostos cada vez mais parecidos, a estética começa a mudar de direção. O chamado quiet beauty, ou beleza discreta, troca a transformação evidente pelo gerenciamento da pele, estímulo de colágeno e intervenções mais sutis.
Famosas como Gkay, Gracyanne Barbosa, Scheila Carvalho, Gabi Martins e Kylie Jenner já tornaram públicos processos de retirada ou dissolução de preenchimentos. Para a Dra. Ana Julia Niederauer, médica pesquisadora e especialista em cosmiatria, o movimento não representa uma rejeição aos procedimentos, mas uma mudança na maneira de realizá-los.
Abaixo, a especialista destaca caminhos para entrar na era da beleza natural sem abrir mão dos tratamentos. Confira!
A ideia de fazer um grande procedimento para “resolver” o envelhecimento começa a perder espaço para cuidados planejados ao longo do tempo. O gerenciamento da pele acompanha suas mudanças e prioriza qualidade, firmeza, textura e viço, sem esperar que uma única intervenção faça todo o trabalho.
“O que estamos vivenciando é o esgotamento do padrão artificial. As mulheres hoje não chegam ao consultório pedindo para mudar o formato do rosto. Elas querem uma pele tratada, firme, com viço e aparência descansada. O ‘menos é mais’ virou a regra de ouro”, explica a médica.
O preenchimento continua tendo suas indicações, mas a tendência é abandonar a lógica de adicionar volume indiscriminadamente. Antes de preencher, é importante entender se a queixa está relacionada à perda de volume ou a outras questões, como qualidade da pele e flacidez.
“Durante muito tempo, vendeu-se a ideia de que ‘quanto mais produto, melhor’. O resultado foi uma perda de identidade coletiva. Hoje, buscamos entender o que aquele rosto realmente precisa antes de simplesmente acrescentar volume”, afirma a especialista.
Se antes o protagonismo estava em preencher, agora o colágeno ganhou espaço. Tratamentos que estimulam respostas do próprio organismo passaram a integrar protocolos que buscam melhorar sustentação e qualidade da pele progressivamente.
“A ciência atual nos permite trabalhar a favor do organismo, e não contra ele. Em vez de criar volumes falsos com preenchedores em excesso, a prioridade passou a ser o estímulo fisiológico de colágeno”, explica a Dra. Ana Julia Niederauer.

Laser e ultrassom também entram nessa nova estética, especialmente quando a proposta é trabalhar diferentes aspectos da pele sem necessariamente modificar os traços. A escolha da tecnologia, no entanto, precisa partir da necessidade individual, e não simplesmente do tratamento que está viralizando.
“O uso de tecnologias como lasers e ultrassom pode fazer parte desse gerenciamento, principalmente quando pensamos em sustentação e qualidade da pele. O tratamento precisa ser construído de maneira estratégica para cada paciente”, orienta a médica.
Outra mudança está na quantidade. Em vez de buscar grandes transformações em uma única sessão, a proposta contemporânea aposta em intervenções menores e mais pontuais, preservando movimento, expressão e características individuais.
“As microdoses estratégicas fazem parte dessa mudança de pensamento. Não precisamos modificar completamente uma característica para conseguir melhorar a aparência. Naturalidade também depende de saber a hora de parar”, destaca a especialista.
O movimento de “desarmonização” protagonizado por celebridades também deixa uma lição: tendências passam, mas determinadas intervenções podem alterar significativamente a percepção que temos do próprio rosto. A nova estética procura preservar aquilo que torna cada pessoa reconhecível.
“O esgotamento do padrão artificial também vem dessa percepção de que muitos rostos começaram a perder características individuais. O objetivo não deveria ser seguir um padrão coletivo, mas cuidar daquela pessoa, preservando sua identidade”, ressalta a Dra. Ana Julia Niederauer.
Talvez essa seja a síntese do movimento quiet beauty. O novo desejo não é necessariamente ouvir perguntas sobre qual procedimento foi realizado, mas receber elogios sobre uma aparência descansada, saudável e bem cuidada.
“O objetivo da estética moderna é que a pessoa ouça ‘como sua pele está bonita!’, e não ‘o que você fez no rosto?’. Quando conseguimos melhorar a qualidade da pele sem apagar a identidade, estamos muito mais próximos dessa nova maneira de pensar a estética”, finaliza a médica.
Por Sarah Carvalho




