Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeO sutiã pode até parecer apenas uma peça íntima, mas seu papel vai além da estética. Ele funciona como um suporte direto para regiões que já enfrentam sobrecarga no dia a dia, como busto, costas e ombros. No entanto, quando há uma escolha errada, a função de sustentação é comprometida e o resultado pode ser o efeito contrário ao esperado.
“Muitas mulheres escolhem o sutiã pela estética, pelo bojo ou pelo costume de usar sempre o mesmo tamanho. Só que, quando a peça não sustenta corretamente ou distribui mal o peso das mamas, o corpo começa a compensar. Essa compensação pode gerar tensão muscular, desconforto e dor”, explica a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto.
Chegar em casa e sentir alívio imediato ao tirar o sutiã não deveria ser regra. Marcas profundas nos ombros, sensação de aperto nas costelas, dor no pescoço e desconforto nas costas são sinais de que a peça talvez não esteja funcionando como deveria.
“O problema é que esse tipo de incômodo foi naturalizado. Muitas mulheres acham que sentir dor faz parte do uso do sutiã, principalmente quando têm mamas maiores. Mas o corpo não deveria passar horas sob tensão por causa de uma peça que, em tese, serve para oferecer suporte”, afirma a Dra. Mariana Milazzotto.
Na prática, o sutiã inadequado pode concentrar carga demais nas alças, comprimir a região torácica, falhar na sustentação e alterar a forma como o corpo se organiza ao longo do dia. O resultado pode aparecer em forma de dor, rigidez e má postura.
Isso acontece porque, quando a sustentação não é eficiente, a musculatura entra em ação para compensar. Ombros se tensionam, a cervical sobrecarrega, o tronco perde alinhamento e o desconforto se instala, muitas vezes de forma progressiva.
“Nem sempre o sutiã é a única causa da dor, mas ele pode ser um fator importante de manutenção da sobrecarga, especialmente em mulheres que já têm tensão muscular acumulada, rotina sedentária ou mamas mais pesadas”, explica a fisioterapeuta.
Geralmente, a peça inadequada não fica evidente no provador. Muitas vezes, o erro aparece só depois de horas de uso. Por isso, vale prestar atenção em sinais como:
Para a Dra. Mariana Milazzotto, esses sinais mostram que a sustentação está falhando. “Quando a peça está certa, ela se acomoda bem, distribui o peso e não exige que o corpo passe o tempo todo tentando se adaptar a ela”, diz.

Acertar na escolha do sutiã passa menos por seguir cegamente uma numeração e mais por observar como a peça veste e funciona no corpo real. Isso inclui sustentação, ajuste, conforto e distribuição adequada de peso. No momento da compra, observe:
“Muitas mulheres seguem usando o mesmo tamanho por anos, mesmo depois de mudanças no corpo, no peso, na rotina hormonal ou na elasticidade da própria peça. Só que o ajuste precisa acompanhar essas mudanças”, explica a Dra. Mariana Milazzotto.
A escolha do sutiã ainda costuma ficar restrita à moda, ao visual e ao caimento da roupa. Mas, para a fisioterapeuta, esse olhar é insuficiente. A peça também precisa ser pensada como parte do conforto corporal e da rotina funcional da mulher.
“Quando o sutiã respeita o corpo, ele ajuda. Quando aperta, pesa, marca ou exige compensação muscular o tempo todo, ele deixa de ser apenas um detalhe e passa a ser uma fonte diária de desconforto”, afirma.
No fim das contas, acertar no sutiã ideal não é exagero. É uma decisão que pode melhorar a sustentação, reduzir a dor e fazer diferença real na forma como o corpo atravessa o dia.
Por Paulo Novais




