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Politica de PrivacidadeA integração de ambientes se consolidou como uma das soluções mais recorrentes na arquitetura contemporânea, principalmente nas áreas sociais dos imóveis. Associada à sensação de amplitude, convivência e praticidade, ela parece quase uma escolha automática. No entanto, em alguns casos, a divisão dos espaços pode ser mais adequada.
Segundo o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, antes de derrubar paredes ou eliminar divisões, é fundamental avaliar a rotina, os hábitos e as necessidades reais de quem vive no espaço. “Em um primeiro momento, essa possibilidade pode soar como um retrocesso, porém o principal é considerar que a decisão de executar os ambientes abertos não pode ser tomada só por estar na moda”, alerta o profissional, completando que a integração coopera no ganho de área, mas que nem sempre representa o desejo do morador.
Há algum tempo, o mercado imobiliário vem deixando para trás as plantas rigidamente compartimentadas com cada cômodo composto por quatro paredes. Todavia, a ideia da integração pode se tornar uma cilada se não corresponder ao esperado pelo morador.
“Há pessoas que desejam abrir a varanda, pois se alinha com as expectativas que guardam sobre isso. Contudo, não há nada de errado em querer que esse ambiente preserve a essência privada para se configurar em um refúgio com plantas, uma área para atividades físicas ou o gourmet”, cita Bruno Moraes.
Segundo ele, integrar por integrar, só por uma tendência da arquitetura, pode acarretar desconforto. Em metragens reduzidas, é possível agregar a sensação de amplitude, mas a decisão não pode ser tomada apenas por esse critério. “Se o incômodo é o apartamento parecer pequeno, integrar ajuda, mas se o morador precisa de concentração ou privacidade, talvez dividir faça mais sentido”, argumenta. Ele acrescenta que o ganho visual nem sempre compensa a perda funcional.
Outro erro muito comum é acreditar que basta eliminar as barreiras físicas para conectar os ambientes. Na prática, outras questões podem gerar divisões invisíveis e até contraditórias. “Não adianta querer que os cômodos estejam ligados se houver diferenças na paginação do piso ou na iluminação”, alerta o profissional. Ele também ressalta que essas barreiras visuais são tão impactantes quanto uma parede. Portanto, integrar os espaços também exige harmonia de materiais, luz e cores.
Para a divisão dos ambientes, não é necessário apenas o uso de paredes. As possibilidades são muito mais amplas do que a escolha tradicional. Nos projetos do BMA Studio, a marcenaria combinada com estrutura metálica aparece com bastante frequência, sendo uma proposta que organiza e, ao mesmo tempo, compõe o espaço.
Elementos vazados como o cobogó e muxarabis continuam presentes, enquanto o drywall surge como alternativa prática e limpa para novas divisões. E há ainda caminhos mais alternativos, como as cortinas, que o arquiteto considera uma opção muito interessante. “Vejo como uma solução simples e eficaz para studios e lofts, resguardando o espaço do dormitório”, exemplifica Bruno Moraes.
Entre outras soluções mais utilizadas, portas de correr e painéis deslizantes se destacam pela flexibilidade, permitindo interligar e separar conforme a necessidade. “De forma geral, elementos fixos como cobogós e brises são bacanas quando não há necessidade de fechar completamente o ambiente. Já as portas e painéis deslizantes são excelentes para propiciar a possibilidade de escolha ao morador”, argumenta.

Nas áreas integradas, há situações em que realinhar o mobiliário não é suficiente para alcançar um bom layout — seja por falta de privacidade, excesso de ruídos ou até pela exposição daquilo que o morador não gostaria de apresentar para convidados. Assim, na opinião do profissional, são nessas ocasiões que a divisória passa a ser indispensável. Para entender melhor quando vale investir nessa solução, Bruno Moraes lista alguns espaços em que as divisórias podem transformar a rotina. Confira!
Em cozinhas integradas, os grandes inimigos dos moradores são o odor referente ao preparo dos alimentos e a gordura que pode invadir a sala. Para isso, o arquiteto recomenda uma divisória móvel, como portas ou painéis deslizantes. “Não sendo fixa, o deslocamento delas acontece de acordo com a demanda”, define.
Com a área de serviço alinhada com a cozinha — como denotam os imóveis novos —, Bruno Moraes reitera que as plantas abertas têm o visual prejudicado por conta do varal de roupas. “Nesses casos, a inclusão de portas de correr é eficiente para esconder, quando necessário, a área de serviço, e abrir o ambiente quando estiver organizado, mantendo a sensação de amplitude”, ressalta.
Com a continuidade do trabalho remoto, Bruno Moraes sugere a instalação de divisórias fechadas ou painéis móveis quando o home office compõe a área social. “Já projetei um home office compartilhado para um casal com rotinas opostas e o desafio foi providenciar um fechamento em madeira que permitisse tanto o isolamento quanto a abertura total. Enquanto um precisava de silêncio para reuniões, a outra parte preferia trabalhar integrada à dinâmica da casa. A divisória resolveu um problema que o layout sozinho não conseguiria”, resume.
Se antes elas eram essencialmente físicas, hoje começam a incorporar tecnologia. Bruno Moraes elenca os vidros que se alternam entre transparente e leitoso com um toque, permitindo o controle da privacidade instantaneamente. Ademais, elementos produzidos por impressão 3D a partir de argila ou plástico apontam para um futuro ainda mais versátil.
Entre o fixo e o móvel, o visível e o invisível, o fato é que dividir espaços nunca foi tão flexível. E, no fim das contas, continua sendo uma das decisões mais importantes para garantir que a casa funcione não só no projeto, como na vida real.
Por Emilie Guimarães




