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O Tennessee virou manchete nos Estados Unidos depois que Christa Pike, de 50 anos, resistiu a duas aplicações de injeção letal na noite de quarta-feira (30). Ela estava presa desde que foi condenada pelo assassinato brutal de uma colega de escola, cometido há quase 30 anos, quando ainda era adolescente. A falha inédita levou o governador Bill Lee a congelar todas as execuções programadas no estado e a abrir uma investigação externa sobre o que deu errado.
“Estou profundamente decepcionado, assim como os moradores do Tennessee, com o que aconteceu na noite passada”, comentou Lee em coletiva nesta quinta-feira (1). Ele não deu detalhes sobre o estado clínico de Christa, mas confirmou que ela foi transferida da prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville, direto para uma unidade de saúde fora do sistema prisional.
O episódio marca a segunda execução malsucedida no Tennessee em 2026. Em maio, outra tentativa foi abortada porque a equipe médica não conseguiu acessar uma veia do condenado, um homem que também aguardava há anos no corredor da morte. Agora, o governador quer entender se o problema está no método, nos produtos químicos ou na execução do procedimento.

Até onde sabemos, o Departamento de Correção seguiu exatamente o protocolo que havia sido estabelecido, analisado e aprovado pelo gabinete do procurador-geral. Neste momento, isso é tudo o que sabemos. E é justamente por isso que teremos uma investigação”, ressaltou Lee.
A defesa de Christa tentou barrar a execução até o último minuto. Durante o procedimento, os advogados entraram com um pedido urgente na Justiça Federal, alegando que testemunhas presentes na sala viram os dois frascos de veneno sendo injetados, mas, mesmo assim, Christa continuava respirando, com roncos audíveis. A informação foi divulgada pela NBC News.
Horas antes, a Suprema Corte dos EUA tinha derrubado uma liminar de última hora que suspendia a execução. Com o sinal verde da Corte, o estado tentou levar adiante a sentença, mas o protocolo não funcionou. O Departamento de Correção do Tennessee defendeu o trabalho da equipe e disse que “os produtos químicos utilizados na injeção letal previstos no protocolo têm sido consistentemente eficazes”.

Christa foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, morta em janeiro de 1995 em Knoxville. Na época, Christa tinha 18 anos. Ela, o namorado Tadaryl Shipp (então com 17) e uma terceira pessoa levaram Colleen para uma área isolada de mata. O que veio depois chocou a cidade: Colleen foi torturada por horas. O grupo gravou um pentagrama no peito dela com uma faca e arrancou um fragmento do crânio como troféu. Christa e Tadaryl confessaram o crime. Ambos foram condenados por homicídio em primeiro grau, mas só Christa recebeu a pena de morte.
A mãe de Colleen, May Martinez, já disse publicamente que apoia a execução. Mas grupos de direitos humanos e a defesa de Christa argumentam que ela era menor de idade mentalmente, vítima de abuso sexual na infância e sofria de transtornos mentais graves que nunca foram tratados. Agora, com a falha na execução, o caso volta à estaca zero, e o Tennessee terá que explicar por que o sistema falhou duas vezes no mesmo ano.




