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Neste domingo (9), é celebrado o Dia dos Pais, e Ana Paula Renault aproveitou a data para publicar um vídeo em que reflete sobre as responsabilidades da paternidade e as consequências da ausência paterna, como a sobrecarga enfrentada pelas mães. A jornalista também prestou uma homenagem ao próprio pai, Gerardo Renault, que faleceu em 19 de abril deste ano, enquanto ela ainda estava confinada no BBB 26.
“Presença não deveria ser extraordinária quando se trata de um filho. Deveria ser o básico, mas não é. No Brasil, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas somente com o nome da mãe nos últimos anos. O Dia das Mães é a segunda data mais importante do comércio brasileiro, atrás apenas do Natal. E talvez isso ajude a explicar uma contradição que diz muito sobre a nossa sociedade. A gente celebra muito as mães, mas também colocou sobre elas durante muito tempo quase toda a responsabilidade de cuidar”, disso a campeão do BBB 26 ao iniciar sua reflexão.
Em seguida, Ana Paula deu exemplos de como o cuidado é algo atribuído à mulher desde os primeiros anos de idade. “Talvez tenhamos colocado sobre essas mulheres quase tudo. A menina ganha uma boneca e aprende a cuidar de alguém. O menino ganha um carrinho e aprende a conduzir o próprio caminho. O que eu quero dizer aqui é que responsabilidade não tem que ter gênero. Cuidado não é coisa de mulher. Presença não é só obrigação feminina”, acrescentou.
“E paternidade não pode ser resumida a pagar uma conta, e isso quando paga, né? Apareceria uma fotografia ou ajudar a mãe. Pai não ajuda a criar um filho, pai cria”, afirmou a jornalista .
Ana Paula analisou sobre as diversas formas de ausência paterna. “Talvez você tenha perdido o seu, talvez você nunca tenha conhecido o seu próprio pai. Talvez ele tenha existido, mas não tenha estado. Talvez quem tenha ocupado esse lugar tenha sido um avô, um tio, um padrasto, dois pais ou alguém que escolheu ficar. E talvez tenha sido a sua própria mãe, uma mulher que precisou ocupar esses espaços porque alguém deixou aquele espaço vazio. Hoje também é dia de olhar para essas histórias”, ponderou.
“Eu olho para a minha sabendo do tamanho do privilégio que eu tive. Esse é o meu primeiro dia dos pais sem o meu. Meu pai viveu 96 anos, quase um século. Meu pai viu o mundo mudar diante dos próprios olhos e nunca parou de tentar entendê-lo. Meu pai lia muito. Ele queria saber o que acontecia no Brasil e fora dele. Meu pai sabia que nenhuma sociedade existe isolada e que a história, quando a gente deixa de prestar atenção nela, encontra maneiras assustadoras de se repetir”, emocionada a campeão do BBB 26 citou seu próprio pai.
A jornalista exaltou a postura adotada por Gerardo após a perda maternas. “A minha mãe morreu quando eu tinha 16 anos. A minha irmã, Cida, tinha 12. O meu pai tinha quase 70 anos e ele ficou. Ele ficou para criar duas meninas. Ele ficou quando a vida ficou difícil. Ficou quando ser pai deixou de ser uma palavra e virou presença diária. E hoje eu penso muito nas meninas que não tiveram isso. Nos filhos que foram, se sentiram e se sentem abandonados. Penso muito nas mães que precisaram ser mãe e pai, embora nunca devesse ter precisado de ser tanto, né?”, considerou.
“E eu também penso nos homens que ficaram, nos pais que trocaram fraldas, perderam noites de sono, foram às reuniões de escola, estiveram nos hospitais, educaram, sustentaram, ouviram e acolheram. O que deveria ser o mínimo, o que deveria ser o natural. A vocês, pais de verdade, feliz Dia dos Pais”, ressaltou Ana Paula.
Antes de encerrar, a campeã do BBB 26 prestou uma homenagem especial a Gerardo. “A meu pai, o meu eterno, muito obrigada. Hoje, eu entendo que eu tive um privilégio que jamais deveria ser privilégio. Ter um pai presente deveria ser apenas o começo da nossa história. Ter um pai presente deveria apenas ser pai”, concluiu.




