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Alguém precisava ser o primeiro! Em janeiro de 1985, quando o Rock In Rio ainda engatinhava e ninguém sabia que o festival viraria um dos maiores do planeta, Ney Matogrosso subiu no palco da Cidade do Rock e encarou 100 mil pessoas. Sozinho, coberto de brilho, quase e quase nu. A reação inicial? Vaias. Mas ele não desceu.
O artista, que já era conhecido por desafiar padrões com sua voz aguda e presença de palco irreverente, inaugurou o festival no dia 11 de janeiro daquele ano. Entre tantos nomes do rock nacional e internacional escalados para a estreia, coube a ele o papel de abrir o evento. E ele fez isso do jeito mais provocador possível.

“Ninguém tinha subido ali nunca antes de mim. Era eu e eles. Mais de cem mil pessoas, e eu com o corpo coberto de purpurina, uma tanga de onça, penas de gavião na cabeça. Seminu. Do meu jeito. Na noite que era para ser do Metal”, detalhou Ney.
Antes de encerrar, o cantor relembrou o significado daquele momento. “Quando comecei, alguns vaiaram. Mas quando terminei, não foram as vaias que ficaram. Foi aquele passo. O primeiro. E os primeiros passos não assim. Incertos. Mas alguém precisa dar. Porque são eles que movem todos os que virão depois. E naquele dia, o primeiro passo foi meu”, concluiu.




