Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de Privacidade
Padre Fábio de Melo fez um profundo relato sobre a depressão crônica que enfrenta há oito anos e revelou como a doença interfere em sua rotina desde o momento em que acorda. O sacerdote contou que nunca experimentou a sensação de despertar com ânimo. A declaração foi feita nesta semana, durante sua participação no programa “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães, na TV Brasil.
“Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo, eu não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade. É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho”, detalhou.
O religioso descreveu como começa seus dias. “Eu não sou uma pessoa eufórica, eu acordo triste. Eu acordo desanimado. Tudo aquilo que eu decidi à noite, quando estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido”, acrescentou.

Fábio tornou público o diagnóstico em 2018, quando usou as redes sociais para falar sobre a condição e revelou ter enfrentado uma crise grave no ano anterior. Desde então, o padre tem compartilhado com o público os desafios de conviver com a doença.
Ainda durante a entrevista, o religioso comentou o uso de medicação durante seu tratamento. “Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. Eu era uma pessoa que correspondia aos comandos. E eu não quero isso”, afirmou.
“Quando eu encontrei a dosagem certa para lidar com a depressão crônica, eu comecei a ter isso… eu sei que de manhã eu sou assim e depois ao longo do dia, eu vou dando uma iluminada no cenário, entendeu?”, complementou.

Fábio também destacou que cada pessoa tem sua própria maneira de existir, que ninguém precisa ser igual e que não acredita que a vida lhe deva alguma coisa.
“Embora eu não tenha essa felicidade todo dia, abrindo as portas do meu quarto e inundando de sol e alegria a minha vida, eu tenho uma relação muito saudável com a vida. Me dê um livro de Dostoiévski e você esquece que eu existo. Eu não dou trabalho para ninguém. Eu não tenho vícios, eu não me considero uma pessoa chata”, ponderou.
Antes de encerrar, o sacerdote também refletiu sobre a relação consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor. “Eu sou difícil para mim. Eu sou pesado para mim, eu não quero ser para os outros. Você entende? Então, boa parte da minha solidão advém desse desejo de não ser para o outro, porque é muito desagradável você perceber que você joga sobre os outros”, concluiu.




