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Politica de PrivacidadeA influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de jogos online Blaze viraram réus em uma ação civil pública que pede indenização milionária. O pedido foi protocolado na última quarta-feira (8) pela Promotoria de Justiça do DF, que aponta esquema de captação de usuários vulneráveis por meio de promessas enganosas.
Segundo dados levantados pelo portal G1, a Promotoria cobra R$ 120 milhões por danos morais coletivos e acusa ambos de práticas comerciais que colocaram milhares de consumidores em situação de risco financeiro. A petição ainda aguarda despacho judicial.

O processo não veio do acaso. Duas frentes de apuração alimentaram o caso: um volume expressivo de queixas diretas feitas por apostadores e um levantamento que catalogou mais de 42 mil reclamações formais direcionadas à empresa de apostas. Entre os relatos mais comuns, aparecem justificativas vagas do suporte para não liberar prêmios e a imposição de condições quase impossíveis de cumprir para que os valores pudessem ser sacados.
A base da denúncia está em um inquérito aberto anteriormente no Mato Grosso, que destrincha a forma como a operação funcionava. De acordo com a Promotoria, a empresa se valia da imagem de figuras públicas, como a própria Virginia, para fisgar consumidores em situação econômica frágil. Atraídos pela promessa de “dinheiro fácil” e “rendimentos rápidos”, esses usuários eram levados ao erro pela conexão emocional que mantêm com celebridades. As investigações ainda revelam que, em 2023, quando o esquema estava a todo vapor, a plataforma operava sem nenhum aval das autoridades brasileiras.
Para entender como a plataforma mantinha os apostadores presos no ciclo vicioso, integrantes da própria Promotoria criaram perfis falsos e se cadastraram anonimamente no site. O objetivo era monitorar, de dentro, as táticas de comunicação usadas pela empresa.

O que veio à tona foi uma enxurrada de mensagens promocionais enviadas de forma insistente e estratégica. Segundo o documento, a companhia usava frases de impacto, criava um clima de “última chance” e oferecia vantagens tentadoras para empurrar os internautas a apostarem cada vez mais.
Entre os pedidos feitos pela Promotoria à Justiça, estão:
– Suspensão imediata de todas as peças publicitárias que garantam ganhos certos ou rendimentos fixos; – Financiamento, pelos réus, de uma campanha educativa sobre os perigos do vício em jogos e do endividamento excessivo; – Pagamento de R$ 120 milhões destinados aos fundos voltados à proteção do consumidor.
Procurada, a plataforma de apostas divulgou nota informando que ainda não recebeu notificação formal da Justiça a respeito da ação movida pela Promotoria do DF. No comunicado, a empresa destacou que “segue comprometida com a transparência e o cumprimento da legislação e das normas vigentes no território nacional”. Até o fechamento desta reportagem, a equipe jurídica da influenciadora não havia se manifestado sobre o caso.

Vale destacar que a pressão sobre os vínculos comerciais da criadora de conteúdo vem aumentando. Em junho do ano passado, a 1ª Promotoria de Justiça voltada à Defesa do Consumidor (Prodecon) solicitou acesso completo a todos os contratos assinados entre a loira e o site de apostas.
Além disso, Virginia foi convocada para prestar depoimento na CPI das Bets, no Senado Federal, onde compareceu na condição de testemunha. Na ocasião, a empresária declarou que não se arrependia de ter feito os anúncios e disse que não poderia ser responsabilizada por seguidores que pediam ajuda financeira depois de perder dinheiro. Ela garantiu que sempre alertou o público sobre os riscos envolvidos nos jogos e assegurou que seus contratos não incluem a chamada “cláusula da desgraça”, mecanismo pelo qual o influenciador recebe um percentual em cima do prejuízo do seguidor.




