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Politica de PrivacidadeO El Niño deve ganhar força nos próximos meses e provocar efeitos diferentes nas regiões brasileiras, com previsão de chuvas intensas em parte do país e de seca e calor acima da média em outras áreas. Segundo informações divulgadas pelo Instituto ClimaInfo, a possibilidade de o fenômeno atingir uma intensidade considerada muito forte chega a 90%.
O fenômeno climático já apresenta impactos no Brasil e deve alcançar seu ápice nos próximos meses. A previsão indica que o Norte e o Nordeste devem continuar enfrentando condições de calor e pouca chuva, enquanto áreas do Sul e do Sudeste podem registrar volumes elevados de precipitação.

No Norte do país, o cenário de calor intenso e estiagem já preocupa. Em Roraima, o Serviço Geológico do Brasil avalia como pequena a possibilidade de recuperação do Rio Branco nos próximos meses.
Em julho e agosto, a bacia do rio recebeu apenas 45% da chuva esperada, e alguns trechos já se aproximam das mínimas históricas.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições de chuva abaixo da média devem continuar no Norte e no Nordeste até novembro.
No Nordeste, a previsão aponta déficit de água no solo de até 150 milímetros em áreas do Ceará, centro-norte do Piauí e oeste do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
A situação deve ser diferente no Sudeste. São Paulo deve continuar registrando chuvas acima da média, enquanto temporais isolados também podem atingir o norte de Minas Gerais e o Espírito Santo.
O Sul, principalmente o Rio Grande do Sul, aparece entre as áreas que mais devem sofrer com as chuvas fortes. A previsão indica que o excesso de água no solo gaúcho pode chegar a 150 milímetros em outubro.

Os impactos das chuvas já foram observados em diferentes estados. Em São Paulo, temporais recentes provocaram estragos, deixaram duas pessoas mortas e uma desaparecida. A cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, chegou a ficar alagada.
No Paraná, as fortes chuvas também afetaram mais de 21 mil pessoas.
O fortalecimento do fenômeno está relacionado ao aumento das temperaturas das águas do Oceano Pacífico. Na segunda-feira (14), uma anomalia na região central do Pacífico chegou a 2°C, depois de meses em torno de 1,8°C.
Segundo a NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a probabilidade de o El Niño atingir uma intensidade muito forte nos próximos trimestres é de 90%. Nesse cenário, a temperatura da superfície do Pacífico poderia chegar a aproximadamente 3,4°C acima da média.
A intensificação do fenômeno ajuda a explicar a diferença entre as condições climáticas observadas nas regiões brasileiras.
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal, provocando alterações na circulação dos ventos e na distribuição da umidade pelo planeta.
Em condições normais, os ventos predominantes no Pacífico sopram de leste para oeste, deslocando as águas mais quentes em direção à Oceania e à Indonésia. Com o El Niño, esse equilíbrio é alterado.
O enfraquecimento dos ventos favorece a expansão das águas quentes pelo Pacífico, inclusive em direção à costa da América do Sul. O processo modifica os padrões de evaporação, pressão atmosférica e circulação da umidade.
No Brasil, os efeitos podem variar bastante conforme a região. O fenômeno pode contribuir para chuvas intensas, temporais e alagamentos em algumas áreas, enquanto outras enfrentam períodos de seca, temperaturas elevadas e redução da disponibilidade de água.
Com a previsão de intensificação nos próximos meses, o comportamento do El Niño continuará sendo acompanhado por órgãos meteorológicos e instituições responsáveis pelo monitoramento climático.




