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Politica de PrivacidadeEm 8 de abril é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer. Nesta data, é importante lembrar que uma parcela significativa das mortes pela doença poderia ser evitada com medidas relativamente acessíveis, como hábitos saudáveis, exames de rotina, diagnóstico precoce e início do tratamento no momento adequado, aumentando consideravelmente as chances de cura e qualidade de vida.
Um estudo publicado pela The Lancet, chamado “Avoidable deaths through the primary prevention, early detection, and curative treatment of cancer worldwide: a population-based study“, revela que cerca de 43,2% dos óbitos por câncer no país, o equivalente a quatro em cada dez mortes, são evitáveis, o que representa quase 110 mil vidas perdidas a cada cinco anos por falhas em estratégias de saúde que já são amplamente conhecidas.
O levantamento, que analisou dados de 35 tipos de câncer em 185 países, também mostra que o problema não é exclusivo do Brasil. Em escala global, 47,6% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. Dos 9,4 milhões de óbitos registrados no mundo, aproximadamente 4,5 milhões não teriam ocorrido se houvesse maior eficácia na prevenção e acesso adequado aos serviços de saúde.
O médico Dr. Gerson Yoshinari, oncologista e professor da Afya Itajubá, explica que grande parte dessas mortes que poderiam ser evitadas está relacionada a duas dimensões. “Parte dessas mortes está associada a fatores de risco modificáveis como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e infecções preveníveis por vacina, como HPV e hepatite B. Mas há também uma parcela importante relacionada ao diagnóstico tardio e à dificuldade de acesso, em tempo oportuno, à investigação e ao tratamento adequados”, afirma.
O trabalho publicado na revista científica, assinado por 12 autores, oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França, aponta que 33,2% das mortes estão ligadas a fatores preveníveis, como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e infecções, enquanto outros 14,4% poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
“O diagnóstico precoce é, sem dúvida, um dos fatores que mais impactam a mortalidade. Quando o câncer é identificado em fase avançada, aumenta a probabilidade de doença metastática, o tratamento se torna mais complexo e, infelizmente, as chances de cura diminuem. Em contrapartida, quando a doença é detectada precocemente, muitas vezes é possível intervir com tratamentos mais eficazes, menos agressivos e com melhores resultados em sobrevida”, afirma o médico.
Por isso, é essencial manter os exames de triagem em dia, especialmente os já conhecidos, como os de mama e colo do útero. Também é importante ampliar a atenção para outros tipos de câncer em que o diagnóstico precoce faz diferença, como o colorretal, de pele, de pulmão em grupos de risco, de estômago em situações específicas e, em alguns casos, de próstata, sempre com avaliação individualizada.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Ao excluir os tumores de pele não melanoma, que têm alta incidência, mas baixa mortalidade, a estimativa ainda é relevante, com aproximadamente 518 mil novos casos anuais.
Entre os homens, os tipos de câncer mais frequentes são próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O câncer de pele não melanoma segue como o mais incidente em ambos os sexos, embora com menor letalidade.
O Dr. Gerson Yoshinari destaca que o ponto mais importante é não reduzir a prevenção apenas aos exames de rotina, mas desenvolver uma consciência sobre as mudanças no próprio organismo. De acordo com o especialista, os seguintes sintomas merecem avaliação médica imediata:
“Ignorar esses sinais pode resultar em diagnósticos em fases avançadas, em que a probabilidade de metástase aumenta e as chances de cura diminuem. Quando a doença é detectada precocemente, muitas vezes é possível intervir com tratamentos mais eficazes, menos agressivos e com melhores resultados em sobrevida”, conclui o médico da Afya Itajubá.
Por Matheus Garcia