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A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina de muitas empresas brasileiras, mas o acesso às ferramentas não garante, sozinho, aumento de produtividade. Dados da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br, divulgada em 2026, mostram que a proporção de companhias que utilizam IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025. Entre grandes organizações, o índice chegou a 50%, indicando que a tecnologia deixou de ser uma aposta distante e passou a integrar decisões de negócio.
Para Bruno Omeltech, administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, fundador e CEO da Omeltech, hub de educação corporativa especializado em jornadas de aprendizagem e capacitação para médias e grandes empresas, o principal desafio agora está menos relacionado à aquisição das ferramentas e mais à preparação dos profissionais que irão utilizá-las.
“Muitas empresas começaram pela tecnologia antes de olhar para as pessoas. A inteligência artificial pode acelerar processos, mas isso acontece quando os colaboradores entendem como aplicá-la aos problemas reais do negócio”, afirma.
O avanço da inteligência artificial também alcançou empresas menores. Segundo o Cetic.br, entre organizações com 10 a 49 funcionários, a utilização da tecnologia cresceu de 10% para 15% entre 2024 e 2025. Apesar da expansão, existe uma diferença entre disponibilizar uma ferramenta e transformar sua utilização em resultado.
O Work Trend Index 2026, da Microsoft, realizado com 20 mil profissionais em dez países, incluindo o Brasil, mostrou que fatores como cultura organizacional, apoio das lideranças e desenvolvimento de competências têm impacto superior ao uso individual da tecnologia.
Na prática, isso significa que duas empresas podem contratar as mesmas soluções de inteligência artificial e obter resultados completamente diferentes. Enquanto alguns profissionais utilizam a ferramenta para análise de dados, planejamento e automação de tarefas, outros permanecem restritos a aplicações básicas por falta de orientação sobre como incorporar a tecnologia ao trabalho.
“Quando a empresa entrega uma ferramenta sem explicar quais problemas ela deve resolver, a IA vira apenas mais uma plataforma utilizada no dia a dia. O primeiro passo é mostrar onde ela pode gerar valor e como os resultados serão acompanhados”, explica Bruno Omeltech.
Com a expansão da inteligência artificial para áreas como recursos humanos, atendimento, financeiro, comunicação e comercial, a implementação deixou de ser uma responsabilidade exclusiva dos departamentos de tecnologia.
Para Bruno Omeltech, os líderes passam a ter uma função decisiva nesse processo, pois precisam compreender como a IA modifica processos e influencia a forma como as equipes trabalham. “A inteligência artificial não é apenas uma mudança de ferramenta. Ela altera processos, responsabilidades e modelos de decisão. Por isso, a adoção precisa envolver pessoas, liderança e cultura”, destaca.
À frente da Omeltech há mais de 15 anos, Bruno Omeltech acompanha a transformação da educação corporativa e o aumento da demanda por programas de desenvolvimento ligados à inteligência artificial, liderança e novas competências profissionais. A empresa atua na criação de jornadas de aprendizagem para organizações no Brasil e no exterior, com soluções personalizadas para diferentes áreas e públicos.

A necessidade de desenvolver novas habilidades tende a crescer conforme a inteligência artificial assume mais atividades dentro das empresas. A McKinsey & Company aponta que os modelos tradicionais de treinamento precisam dar espaço para uma aprendizagem contínua, integrada à rotina profissional.
O Fórum Econômico Mundial estima que 59% dos trabalhadores precisarão passar por algum tipo de treinamento ou atualização de habilidades até 2030. A mudança envolve não apenas aprender a operar ferramentas, mas também desenvolver capacidade de análise, pensamento crítico e tomada de decisão.
“Treinar pessoas para inteligência artificial não significa apenas ensinar comandos ou funcionalidades. As ferramentas vão mudar constantemente. O que permanece é a capacidade do profissional de aprender, avaliar informações e aplicar a tecnologia de forma responsável”, afirma Bruno Omeltech.
A popularização da inteligência artificial reduziu barreiras de acesso para empresas de diferentes portes, mas também revelou um novo desafio: preparar as pessoas para utilizar esses recursos de maneira estratégica. Na avaliação de Bruno Omeltech, o investimento em tecnologia precisa caminhar com o desenvolvimento humano.
“A ferramenta pode ser adquirida rapidamente, mas construir uma cultura em que as pessoas saibam utilizar a inteligência artificial para resolver problemas reais exige tempo, treinamento e acompanhamento”, conclui.
Com a expansão da IA no ambiente corporativo, empresas passam a avaliar não apenas quais tecnologias contratar, mas também como preparar profissionais e lideranças para transformar esses recursos em resultados concretos.
Por Carolina Lara
