Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de PrivacidadeOndas de calor, alterações de humor e noites maldormidas costumam ser os sintomas mais lembrados da menopausa. Mas há um efeito menos visível — e frequentemente angustiante — que acompanha essa fase: a desaceleração metabólica. Durante a transição para essa fase da vida, ocorre redução progressiva da taxa metabólica basal, fenômeno associado principalmente à queda dos níveis de estrogênio e à perda de massa muscular.
Na menopausa, por exemplo, a mulher tem mais chances de desenvolver sarcopenia — perda progressiva e acelerada de massa, força e função muscular — devido a alterações hormonais, principalmente à diminuição do estrogênio. Como o músculo é metabolicamente mais ativo que o tecido adiposo, essa redução impacta diretamente o gasto calórico em repouso.
Além disso, dados do Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN) apontam que a menopausa está associada a aumento significativo de gordura visceral, independentemente do envelhecimento cronológico. Esse tipo de gordura está relacionado a maior risco cardiovascular e alterações na sensibilidade à insulina, tornando o controle metabólico ainda mais estratégico nessa fase.
Para a nutricionista Mariane Alves, é fundamental entender que o ganho de peso na menopausa não é apenas consequência da idade. “Existe uma mudança hormonal importante que altera a forma como o corpo distribui gordura e utiliza energia. Ao mesmo tempo, há uma perda natural de massa muscular que reduz o metabolismo basal. Não é falta de disciplina, é fisiologia”, explica.
De acordo com a especialista, a base para manter o metabolismo mais ativo inclui ingestão adequada de proteínas e prática regular de treino de força. “A preservação muscular é o principal pilar metabólico nessa fase. Sem isso, qualquer estratégia isolada terá efeito limitado”, afirma.

Embora não substituam hábitos fundamentais como alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade, algumas bebidas podem contribuir para o equilíbrio metabólico durante a menopausa. Determinados chás possuem compostos bioativos capazes de auxiliar, de forma complementar, o funcionamento do organismo nessa fase. Veja abaixo três opções:
Rico em catequinas, especialmente a epigalocatequina galato (EGCG), o chá verde está associado a aumento discreto da termogênese e da oxidação de gordura. “Ele pode estimular levemente o gasto energético e favorecer a utilização de gordura como combustível. É um bom aliado, desde que consumido com moderação”, orienta Mariane Alves.
O gengibre possui compostos bioativos com efeito termogênico leve e pode auxiliar na melhora da sensibilidade à insulina. “Além de contribuir para o metabolismo, o gengibre ajuda na saciedade e no controle glicêmico, algo relevante na menopausa”, diz a nutricionista.
Rico em polifenóis e antocianinas, o hibisco tem ação antioxidante e pode colaborar com a redução de gordura corporal e do inchaço. “O hibisco não é um acelerador metabólico potente, mas contribui para o equilíbrio metabólico geral e muitas mulheres relatam melhora na retenção de líquidos”, ressalta.
Embora os chás possam oferecer um suporte adicional, Mariane Alves reforça que eles não substituem estratégias estruturadas. “Os chás são coadjuvantes. Se a mulher estiver sedentária e com ingestão proteica insuficiente, o efeito será praticamente imperceptível. O que sustenta o metabolismo é músculo, sono adequado e alimentação equilibrada”, ressalta.
Ela também alerta para o consumo excessivo de bebidas estimulantes, especialmente em uma fase da vida marcada por maior incidência de ansiedade e distúrbios do sono. “Cada organismo reage de uma forma. O ideal é personalizar. A menopausa não é um período de restrição extrema, mas de ajustes inteligentes”, conclui.
Por Beatriz Pinheiro