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Politica de PrivacidadeNo imaginário de muitos brasileiros, o Dia do Folclore, celebrado em 22 de agosto, ainda é lembrado principalmente por personagens como Saci, Cuca, Curupira e Iara. Mas limitar a data às lendas tradicionais significa deixar de explorar um dos principais papéis do folclore: mostrar como a cultura popular se transforma ao longo do tempo e continua sendo produzida pelas diferentes gerações.
Para Milena Fiuza, diretora pedagógica do Sistema Positivo, o desafio das escolas é superar uma abordagem pontual e aproximar o tema da realidade vivida pelos estudantes. “Uma das maiores armadilhas ao ensinar folclore é tratá-lo como algo morto, congelado no tempo, que só existia no Brasil rural do século XIX. Se o folclore é a expressão viva do povo, onde ele está hoje na cidade? O funk é folclore? O meme é folclore? Essas perguntas provocam uma reflexão importante sobre como as manifestações culturais continuam sendo construídas.”
Segundo Milena Fiuza, discutir essas manifestações não significa substituir as tradições brasileiras, mas compreender que a cultura popular permanece viva e incorpora novas formas de expressão, linguagem e comportamento. “Quando a escola trabalha o folclore apenas de forma caricata, perde a oportunidade de explorar toda a riqueza cultural presente nessas narrativas em que é possível discutir temas contemporâneos como diversidade cultural, preservação ambiental, ancestralidade, identidade e patrimônio imaterial”, afirma.
Maria Elba Soares, especialista em soluções educacionais da Arco Educação, reforça que o Dia do Folclore pode deixar de ser apenas uma data comemorativa para se tornar um ponto de partida para experiências interdisciplinares durante todo o ano letivo.
“A cultura popular está presente nas histórias, na música, nas brincadeiras, na culinária, na linguagem e nas experiências compartilhadas pelas comunidades. Quanto mais os estudantes percebem essas conexões, mais compreendem que o folclore faz parte da construção da identidade brasileira”, ressalta.
Para ampliar esse debate em sala de aula, as especialistas sugerem algumas atividades:
Mais do que apresentar personagens como Saci, Curupira, Iara e Cuca, os estudantes podem investigar suas origens indígenas, africanas e populares, compreendendo como essas narrativas foram reinterpretadas ao longo da história.
Sugestão: produzir podcasts, vídeos ou radionovelas comparando diferentes versões das lendas.
Personagens como Curupira, Caipora e Iara oferecem oportunidades para discutir proteção dos biomas, queimadas, mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.
Sugestão: criar um novo guardião de um bioma brasileiro e apresentar suas características para a turma.
As especialistas propõem discutir com os estudantes como memes, músicas, expressões populares, vídeos virais e outras manifestações digitais refletem comportamentos coletivos e ajudam a compreender como a cultura popular continua em transformação.
Sugestão: analisar fenômenos culturais das redes sociais e debater quais elementos podem representar manifestações culturais contemporâneas.

O folclore também vive nas famílias, por meio de brincadeiras, receitas, superstições, ditados populares e histórias contadas pelos mais velhos.
Sugestão: entrevistar familiares e produzir um “Almanaque de saberes da turma”.
Cada região possui personagens, histórias e tradições próprias, revelando a diversidade cultural do país.
Sugestão: elaborar um mapa ilustrado das principais lendas brasileiras.
Os conhecimentos tradicionais sobre plantas aproximam ciência, cultura e história.
Sugestão: criar um herbário ilustrado registrando espécies conhecidas pela comunidade escolar e seus usos populares.
A oralidade é uma das principais formas de preservação da cultura popular brasileira.
Sugestão: promover rodas de cantigas, desafios de adivinhas e produção de cordéis.
Receitas tradicionais também contam a história dos povos que formaram o Brasil.
Sugestão: organizar uma feira gastronômica com pratos pesquisados pelas famílias.
Para Milena Fiuza, quando o folclore deixa de ser trabalhado apenas em uma data específica do calendário, os estudantes compreendem que a tradição está presente em diferentes aspectos da vida cotidiana. “Quando a cultura popular aparece ao longo de todo o ano letivo, ela deixa de parecer um conteúdo distante e passa a ser compreendida como parte da identidade, da história e das formas de expressão das diferentes gerações”, finaliza.
Por Bianca Lodi




