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Politica de PrivacidadeNa redação, além de dominar a norma-padrão da Língua Portuguesa, o estudante precisa compreender o recorte proposto, defender uma tese com argumentos consistentes e apresentar uma solução viável para o problema discutido. A prova tem peso relevante no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pode ser decisiva para a classificação dos candidatos.
A redação vale até 1.000 pontos e é avaliada em cinco competências: domínio da escrita formal, compreensão da proposta, qualidade da argumentação, coesão textual e elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Segundo Glauce Soares Casimiro, que foi avaliadora das redações do Enem por dez anos e é professora do curso de Pedagogia da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), escrever corretamente não basta para alcançar uma nota alta. “É preciso compreender o tema, construir uma posição crítica e articular informações e argumentos. O repertório deve contribuir para a discussão e não ser apenas uma referência decorada”, explica.
Um dos principais riscos é o tangenciamento, situação em que o candidato discute aspectos relacionados ao assunto geral, mas não desenvolve o recorte específico solicitado pela proposta. Antes de escrever, a orientação é identificar as palavras-chave e delimitar o problema social apresentado. “O Enem costuma apresentar um recorte específico de uma questão social, que deve ser analisado em suas causas, consequências e possibilidades de enfrentamento”, afirma Glauce Soares Casimiro.
A análise dos temas apresentados entre 2016 e 2025 indica recorrência de questões ligadas a direitos humanos, cidadania, inclusão e desigualdades sociais. Nesse período, a prova abordou intolerância religiosa, educação de surdos, uso de dados na internet, acesso ao cinema, saúde mental, registro civil, povos tradicionais, trabalho de cuidado realizado por mulheres, herança africana e envelhecimento.
Termos como “desafios”, “invisibilidade”, “valorização” e “perspectivas” também aparecem com frequência. Para a professora, o candidato deve estar preparado para explicar por que o problema existe, quem é afetado, quais são seus impactos e como diferentes agentes sociais podem enfrentá-lo.

O tema oficial é sigiloso e qualquer previsão deve ser tratada apenas como exercício de preparação. Entre os assuntos contemporâneos que podem servir de treino está a inteligência artificial, com recortes sobre uso ético, impactos na educação e no trabalho, proteção de dados, desigualdade de acesso e desinformação. O treino com assuntos atuais ajuda o estudante a desenvolver argumentação e capacidade de adaptação a diferentes recortes temáticos.
A preparação deve combinar leitura de notícias, ampliação do repertório sociocultural, prática frequente de redações e revisão da norma-padrão. “É importante treinar teses claras, estratégias de argumentação e propostas de intervenção relacionadas ao problema apresentado. Mais importante do que memorizar modelos é desenvolver uma estrutura de pensamento capaz de compreender diferentes questões sociais e construir uma argumentação fundamentada”, diz Glauce Soares Casimiro.
A especialista destaca que, até a prova, a preparação pode se concentrar em três habilidades: compreender o problema, argumentar com consistência e propor caminhos para enfrentá-lo.
Por Camila Souza Crepaldi




