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Politica de PrivacidadeNo primeiro dia de cada mês, é quase inevitável: as redes sociais se enchem de vídeos ensinando a soprar canela na porta de casa como forma de atrair dinheiro, abundância e boas oportunidades. A tradição ganhou força nos últimos anos e se tornou um dos rituais mais populares entre quem acredita na força dos elementos naturais.
Mas, segundo a bruxa e escritora Tânia Gori, referência em Bruxaria Natural no Brasil, o ritual pode carregar um simbolismo oposto ao que muitas pessoas imaginam. Para ela, a questão não está na canela, mas na forma como ela é utilizada.
“A canela é tradicionalmente associada à prosperidade, à expansão e ao poder de realização. O problema, dentro da magia natural, está no ato de soprar, que simboliza enviar algo para longe”, afirma.
Na tradição seguida por Tânia Gori, cada elemento da natureza possui uma função energética específica. A canela é relacionada ao elemento Fogo, ligado à ação, ao crescimento e à prosperidade. O sopro, por sua vez, representa o elemento Ar, cuja simbologia está associada ao movimento, à dispersão e ao afastamento.
“Quando você sopra, está impulsionando aquela energia para fora. É uma interpretação simbólica dos elementos. Por isso, na nossa tradição, faz mais sentido ativar a canela pelo Fogo do que pelo Ar”, explica. Conforme a pesquisadora, uma alternativa é utilizar pequenos pedaços de canela em pau na chama de uma vela, prática que preservaria a afinidade entre os elementos empregados no ritual.

A especialista ressalta, no entanto, que não existe uma regra universal válida para todas as correntes espiritualistas. Diversas tradições possuem interpretações diferentes sobre o uso da canela e muitas pessoas mantêm o costume de soprá-la como um gesto de fé e intenção positiva.
Além da canela, Tânia Gori cita outros elementos presentes em antigas tradições populares. Um deles é a pimenta-do-reino, utilizada simbolicamente para afastar obstáculos e energias consideradas negativas. Outro é o arroz, espalhado em determinados ambientes como representação de fertilidade, fartura e abundância, um costume presente em diferentes culturas há séculos.
Independentemente do ritual escolhido, Tânia Gori acredita que compreender o significado dos elementos torna qualquer prática mais coerente. “Os rituais nasceram da observação da natureza. Quando entendemos o simbolismo de cada elemento, deixamos de repetir gestos apenas por tradição e passamos a agir com mais consciência e propósito”, conclui.
Tânia Gori
CEO da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e presidente da Associação Brasileira de Bruxaria. Astróloga, numeróloga e escritora. Fundadora da convenção de Bruxas e Magos da América Latina.
Por Rodrigo Almeida




