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Politica de PrivacidadeMovimentos repetitivos e longos períodos diante do computador fazem parte da rotina de muitos trabalhadores. O problema é que, com a praticidade da tecnologia e das mudanças nos regimes laborais, também aumentaram os casos de tendinite. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 100 pessoas sofre com a condição.
Conhecida também pela sigla LER/DORT (Lesões por Esforço Repetitivo e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), a tendinite é uma inflamação que afeta os tendões e provoca limitação de movimento e perda de força.
O ortopedista e especialista em dor Dr. Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE, observa nas clínicas ortopédicas que a condição é um dos principais casos de afastamento laboral. Os profissionais recorrem à ajuda especializada devido às exigências modernas de ficar sujeitos a horas de digitação repetitiva com poucos intervalos para relaxamento.
“Hoje existe uma sobrecarga silenciosa nas articulações, com punhos, mãos, ombros e cotovelos entre as regiões mais afetadas. As pessoas passam o dia alternando entre teclado e mouse, e no tempo livre ainda não se desgrudam do celular. As pequenas tensões se acumulam por meses, mas o corpo só consegue compensar por um tempo, até o surgimento de alguma inflamação”, explica.
A seguir, o médico destaca cinco cuidados importantes para prevenir e aliviar os sintomas da tendinite no dia a dia. Confira!
Permanecer muito tempo na mesma posição aumenta a tensão muscular e sobrecarrega os tendões. Por isso, pequenas pausas durante o trabalho ajudam a reduzir o impacto da rotina nas articulações. Alongamentos simples para mãos, punhos, pescoço e ombros podem melhorar a circulação e aliviar a rigidez.
“É muito comum o paciente perceber os primeiros sinais ao acordar com a mão dormente, sentir dificuldade para segurar objetos simples ou notar uma sensação de fisgada ao movimentar-se. Esses pequenos sintomas costumam ser ignorados, mas já indicam que existe um processo inflamatório em andamento”, alerta o Dr. Lúcio Gusmão.
A altura da cadeira, da mesa e da tela do computador influencia diretamente a saúde articular. Trabalhar com punhos tortos, ombros elevados ou coluna desalinhada aumenta o esforço sobre os tendões.
“Deixar o monitor na altura correta dos olhos evita que a pessoa passe horas com o pescoço inclinado para frente, o que aumenta a tensão em toda a cadeia muscular. Além disso, investir em um teclado mais confortável e manter os braços bem apoiados ajuda a reduzir a sobrecarga nos punhos e ombros durante a digitação”, explica o ortopedista.
Além de reduzir a sobrecarga mecânica, o corpo precisa de estímulos adequados para recuperar músculos e tendões já inflamados. Sono de qualidade, hidratação e uma alimentação equilibrada ajudam na regeneração dos tecidos e no controle do processo inflamatório. Em certos casos, medicação pode ser utilizada sob orientação médica.
“Existe um desgaste biológico acontecendo de forma contínua. O tendão inflamado perde capacidade de regeneração quando o organismo está exausto e mal alimentado. O tratamento não é apenas local, ele depende da capacidade geral do corpo de reparar aquele tecido”, explica o médico.

Exercícios de fortalecimento e flexibilidade contribuem para melhorar a resistência muscular, tornando o corpo mais resistente para sustentar longos períodos de ação mecânica.
“Uma musculatura fortalecida absorve melhor o impacto das atividades do dia a dia. O sedentarismo deixa tendões e articulações mais vulneráveis, especialmente em casos em que o paciente é obeso e permanece sentado por muitas horas”, destaca o ortopedista.
Dor frequente, formigamento, perda de força ou desconforto contínuo não devem ser ignorados. Se uma dor ultrapassa três meses de duração, ela é considerada crônica e exige atenção redobrada. “O grande erro é esperar a dor ficar incapacitante para buscar ajuda. No Brasil, temos a cultura de aceitar essas limitações do cotidiano. Muitos pacientes falam que ‘é assim mesmo’, ‘não tem jeito’, mas os caminhos para reduzir a dor são inúmeros e a orientação médica é imprescindível nesse caso”, finaliza o fundador da Rede CADE.
Por Davi Goulart