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Politica de PrivacidadeNa próxima semana, entre os dias 20 e 22 de março, o Lollapalooza Brasil 2026 deve reunir cerca de 250 mil pessoas em São Paulo. Mesmo com a expectativa de muita música e diversão, é preciso se atentar para alguns cuidados. Além de se proteger da chuva, beber bastante água, se alimentar bem e descansar entre shows, é fundamental proteger também a audição.
Segundo pesquisa da Royal National Institute for Deaf People (RNID) do Reino Unido, entre 2 mil jovens adultos entrevistados, 58% relataram alguma perda auditiva após frequentar festivais, shows e casas noturnas. A instituição afirma que esses problemas em geral afetam um a cada três adultos do Reino Unido, cerca de 18 milhões de pessoas.
De acordo com a otorrinolaringologista da Casa de Saúde São José, Dra. Ana Carolina Teles, o limite seguro de intensidade do som é de 85 decibéis (dB). Apesar disso, “em shows, os limites costumam ultrapassar 100dB. Com esse valor, 15 minutos de exposição já podem gerar danos às células ciliadas no ouvido interno”, alerta a médica. As células ciliadas são receptores sensoriais que ficam dentro dos ouvidos e atuam principalmente na audição e no equilíbrio do corpo.
Os principais riscos dessa exposição permanente incluem desde zumbido (tinnitus), hiperacusia (tipo de hipersensibilidade em que sons baixos são percebidos como mais altos que o normal), ou até surdez súbita e Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), quando há diminuição gradual e irreversível da audição.
“Sensação de ouvido cheio, zumbido constante, sensibilidade aumentada aos sons e até mesmo irritabilidade a barulhos também são sintomas comuns que podem indicar audição prejudicada após um show ou festival”, completa a otorrinolaringologista.
Logo, as consequências podem variar desde pequenos sintomas temporários até perdas permanentes de audição que podem se tornar um verdadeiro problema crônico.

Por conta desses riscos auditivos, algumas estratégias, como o uso de protetores auriculares em festivais, têm se tornado cada vez mais comuns para tentar evitar problemas futuros nos ouvidos. Para a Dra. Ana Carolina Teles, os protetores auriculares são uma ótima estratégia para os fãs de música e, atualmente, existem modelos mais tecnológicos que distorcem menos o som.
“Protetores auriculares para shows, ou earplugs, são essenciais para proteger a audição sem perder a qualidade do som. As melhores opções são os modelos com filtro de alta fidelidade, pois reduzem os decibéis uniformemente sem abafar os sons”, explica a médica.
Isso explica a quantidade cada vez maior de pessoas, desde músicos profissionais até fãs que realmente se preocupam com a saúde da sua audição, que têm aderido ao uso dos protetores auriculares. Por mais que eles possam abafar um pouco a qualidade do som no momento, os earplugs representam um investimento na saúde dos ouvidos ao longo da vida.
Além do uso dos protetores auriculares, a médica da Casa de Saúde São José recomenda outros cuidados simples que podem fazer toda a diferença para a saúde auditiva durante esses eventos: “São ótimas estratégias manter-se afastado das caixas de sons, monitorar os decibéis por aplicativos no smartphone ou smartwatch, e fazer pausas auditivas sempre que possível. Ou seja, pequenos intervalos entre um show e outro, mais afastado das caixas de som, para descansar também os ouvidos”, conclui a otorrinolaringologista.
Por Bernardo Bruno




