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Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, resgatada após passar cerca de 42 horas à deriva no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, detalhou como o acidente aconteceu e relembrou os momentos de aflição que enfrentou em alto-mar durante entrevista exclusiva concedida ao programa Domingo Espetacular, exibido pela Record neste domingo (31).
No dia 24 de maio, a jovem de 26 anos e o amigo Dheoge Pereira Bernardino, de 28, participavam de uma confraternização em uma embarcação na região de Ilhabela. Por volta das 15h, os dois decidiram fazer um passeio de moto aquática. Segundo Bruna, o veículo apresentou problemas pouco depois de sair do campo de visão da embarcação onde estavam os demais amigos.
“Deu pane, ele parou de funcionar do nada. Tanto é que quando um amigo falou que tava parando de funcionar, eu simplesmente falei: ‘Você tá brincando, né? Cê tá de brincadeira comigo’. Ele [respondeu]: ‘Não, tá parando'”, relatou ela ao recordar o momento em que perceberam que havia algo errado com a moto aquática.
Bruna contou que foi nesse momento que ela e o amigo perceberam a real distância que os separava da embarcação. “E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, relembrou.
Ao notar que a ilha ainda parecia relativamente próxima, a jovem sugeriu que os dois abandonassem a moto aquática e tentassem alcançar a costa a nado. Eles amarraram os coletes salva-vidas um ao outro e entraram no mar.
No entanto, durante o trajeto, Bruna começou a se desesperar. Sem avistar nenhuma embarcação ou pessoa por perto, ela passou a gritar por socorro e pedir ajuda, enquanto o medo e a incerteza tomavam conta da situação.
Com o passar do tempo, a moto aquática começou a afundar, deixando os dois sozinhos em alto-mar, sustentados apenas pelos coletes salva-vidas. “Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”, relatou Bruna.
Na manhã de segunda-feira (25), as esperanças de resgate foram renovadas quando os dois avistaram os primeiros helicópteros sobrevoando a região. No entanto, o desgaste físico e emocional já era extremo. Bruna relatou que chegou a dormir ou desmaiar em alguns momentos e, por isso, não sabe dixer precisamente quando perdeu o contato com o amigo.
A jovem contou ainda que, após mais de 24 horas à deriva, começou a sofrer com alucinações provocadas pelo cansaço, pela exposição prolongada ao sol e pelas condições adversas enfrentadas em alto-mar.
Após cerca de 42 horas à deriva, Bruna finalmente avistou uma embarcação e pôde ser resgatada. O momento marcou o fim de uma longa luta pela sobrevivência em alto-mar.
“Na hora em que eles me pegaram, eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais. Eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles foi: ‘O meu amigo está lá em alto-mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele'”, relembrou a jovem, emocionada.
Na manhã desta segunda-feira (1º), um corpo foi encontrado durante as buscas por Dheoge. Até o momento, a identidade da vítima ainda não foi oficialmente confirmada pelas autoridades.
