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Na última quarta-feira (16), o Grammy Latino anunciou os indicados à 27ª edição da premiação. O álbum “Sertões”, de Flay, que havia sido submetido, ficou de fora da lista. Em suas redes sociais, a cantora desabafou sobre o sentimento de fracasso e descreveu o momento como o “luto” por um sonho que morreu.
“Fracassei, e como é ruim ter que vir aqui pra falar sobre isso. Pra mim, é muito difícil ter que mostrar vulnerabilidade. Mas, se em um primeiro momento eu vim aqui falar com vocês do orgulho que eu tava sentindo de ter dado a iniciativa pra tornar um sonho que parecia muito inalcançável mais próximo de mim, eu também tenho que saber que eu tenho que vir aqui falar sobre o resultado. O vídeo aqui é sobre ‘deu errado’, sobre uma derrota”, declarou no início do vídeo.

Em seguida, Flay afirmou que não busca palavras de conforto para amenizar o momento. “Não quero ter nenhuma grande ideia. Não tô fazendo esse vídeo pra ter um grande consolo, não precisa me consolar nos comentários… Se você se identificar, porque você também empreende um sonho, tamo junto. Eu não vejo muito conteúdo sobre essa fase de limbo, onde a gente não tem um grande sucesso para contrapor a derrota, que foi, que superou, não tem uma grande superação”, acrescentou.
“Passei parte do dia tentando anestesiar minha sensação, minha dor. E o dia inteiro muito gente rindo, muito feliz com a minha derrota. Eu tenho um monte de coisa para fazer. Eu fiz uma faxina nessa casa, ontem, que vocês não estão entendendo. Chegou o fim da noite, assim, com balde e vassoura na mão, que eu desabei. Desabei, falei: ‘É isso, cara. Eu vou me entregar para esse sentimento que eu tô sentindo, vou parar de fugir do fracasso, vou parar de fugir da falha’”, confessou.

Flay também detalhou a forma como decidiu enfrentar a frustração. “O meu normal seria sair procurando uma solução, sair recalculando rota. Eu percebi, em um dia inteiro de reflexão, que isso é maquiar o sentimento ruim por causa desse tempo que a gente vive, de querer sempre buscar prazer o tempo todo. Não se permite sentir o luto. E hoje eu vivo o luto de um sonho que morreu”, afirmou.
“Ontem à noite escrevi tanto, que acho que escrevi um livro de desabafo do meu sentimento, já que eu não tinha falado com ninguém até então. Eu deitei no chão aqui, olhei para o céu para conversar com Deus, pensei: ‘Ah, hoje eu não vou incomodar Deus com as minhas lamentações’. E comecei a escrever. Chorava e escrevia”, recordou.
Antes de encerrar, Flay reforçou que pretende continuar em busca de seu sonho. “Eu mesma busquei uma derrota para o meu compilado gigantesco de derrotas que eu tenho na vida e poucas conquistas, poucos acertos. Mas eu digo um negócio para vocês: você pode ter 10 mil derrotas, basta um acerto. Ano que vem, eu vou tentar de novo. ‘Ah, Flay, mas só você acredita.’ Mas, se eu não acreditar, quem vai acreditar? Muitos de vocês não acreditam nem em vocês mesmos, imagina em mim”, disparou.
“Só por hoje, a gente pode só fechar os olhos e imaginar que estamos sentados no chão, um do lado do outro, nos permitindo ser humanos. Amanhã, o resto da vida vai decidir”, concluiu.




