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A miopia infantil é um erro refrativo em que a criança enxerga bem de perto, mas tem dificuldade para focar em objetos distantes. A condição tem crescido no mundo todo, impulsionada por hábitos da rotina moderna, como o uso prolongado de dispositivos eletrônicos e a pouca exposição à luz natural.
Apesar do avanço das informações sobre o tema, mitos relacionados ao uso de óculos, à influência da genética e à progressão do grau ainda confundem muitas famílias e podem atrasar a busca por avaliação oftalmológica e o acompanhamento adequado.
“É importante diferenciar mito de verdade, pois informações incorretas fazem com que os sinais sejam minimizados ou criem falsas expectativas sobre soluções sem comprovação científica. Quanto mais cedo a miopia é identificada, mais rápido corrigimos a visão e acompanhamos a progressão do grau”, destaca o Dr. Celso Cunha, oftalmologista e consultor da HOYA Vision Care.
A seguir, veja 10 mitos e verdades sobre a miopia infantil!
Mito. Não há comprovação científica de que ginástica ocular ou exercícios visuais eliminem ou reduzam o grau da miopia. A condição está relacionada à forma como a imagem se forma no olho, e exige avaliação oftalmológica para correção e acompanhamento.
Mito. Na infância, a miopia não desaparece espontaneamente e nem tem cura definitiva. Existem recursos para corrigir a visão e, hoje, já há lentes de óculos específicas capazes de desacelerar a progressão do grau, sempre com acompanhamento próximo de um oftalmologista.
Mito. Os óculos não aumentam o grau nem enfraquecem a visão. Eles corrigem o foco, ajudam a criança a enxergar melhor e podem contribuir para o desenvolvimento visual adequado, com reflexos positivos na rotina escolar e nas atividades do dia a dia.
Verdade. A leitura em ambientes com pouca iluminação pode causar cansaço ocular e desconforto temporário, mas não altera a estrutura do olho de forma definitiva. Até cerca de uma década atrás, a resposta para essa afirmação seria considerada um mito.
No entanto, esse entendimento vem mudando à medida que a ciência amplia o conhecimento sobre as vias ON, relacionadas à detecção de luz, e OFF, relacionadas à detecção de escuridão, na retina. Essas vias são responsáveis por processar as áreas claras e escuras das imagens que observamos e desempenham um papel importante nos sinais que regulam o crescimento ocular.
Quando crianças e jovens realizam muitas atividades de perto em ambientes com pouca iluminação, o contraste visual pode ser alterado, favorecendo estímulos associados ao maior crescimento do olho. Isso não significa que ler no escuro cause miopia, mas reforça a recomendação de que atividades como leitura e estudo sejam realizadas em ambientes bem iluminados.

Verdade. A exposição prolongada a celulares, tablets, computadores e outros dispositivos aumenta o tempo dedicado a atividades de perto. Esse hábito, especialmente quando associado à falta de pausas e ao pouco tempo em ambientes externos, pode contribuir para o avanço da miopia infantil.
Verdade. Passar mais tempo em ambientes externos e ter contato com a luz natural podem ajudar a retardar o aparecimento ou a progressão da miopia. Equilibrar a rotina entre estudos, telas e brincadeiras em ambientes abertos, como parques, praia e campo, é uma medida importante.
Verdade. Crianças com pais míopes têm maior chance de desenvolver miopia. Mas a genética não é o único fator responsável: hábitos visuais, tempo excessivo em atividades de perto e pouca exposição à luz natural também podem interferir.
Verdade. Apertar os olhos para focar, evitar atividades que exigem visão de longe ou perder o interesse por esportes podem ser sinais de que a criança não está enxergando bem. Quando isso acontece, o desempenho escolar também pode ser prejudicado.
Mito. Muitas alterações visuais podem passar despercebidas ou ser confundidas com falta de atenção. A consulta com o oftalmologista é importante mesmo na ausência de queixas, especialmente diante de sinais como aproximação excessiva de objetos, dificuldade para enxergar de longe ou histórico familiar.
Verdade. Quando a miopia evolui para graus mais elevados, podem surgir alterações estruturais importantes ao longo da vida adulta, com maior risco de complicações oculares, como descolamento de retina, glaucoma, catarata precoce e maculopatia miópica, afetando diretamente a visão central.
É fundamental acompanhar a progressão da miopia desde a infância, para identificar mudanças no quadro e adotar, quando necessário, medidas para controlar sua evolução.
“O diagnóstico precoce é uma das formas mais importantes de acompanhar a criança, orientar a família e reduzir o risco de problemas mais graves na fase adulta. Consultas oftalmológicas regulares devem fazer parte da rotina de cuidado com a saúde visual infantil”, finaliza o consultor da HOYA Vision Care.
Por Kênia Santos
