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Politica de PrivacidadeBibek Kumal, de 24 anos, estava cavando um poço do lado de fora de uma casa recém-construída em Bidur, no Nepal, quando ouviu um barulho ensurdecedor. Colegas gritaram para ele correr. Segundos depois, uma parede de água, lama e pedras desceu com força sobre a região.
O trabalhador tentou escapar, mas a correnteza o arrastou rio abaixo junto com destroços e entulho. No meio do desespero, Bibek acabou ficando preso a uma mangueira que estava no local. O objeto impediu que ele fosse levado ainda mais longe pela água.
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“Felizmente eu estava preso em uma mangueira. Se não houvesse mangueira, eu teria sido levado pela água até a morte”, contou Bibek à Reuters.
A polícia localizou o rapaz e conseguiu tirá-lo da área de risco. Ele teve ferimentos na perna direita depois de ser atingido pela água e, na sequência, por uma pedra grande. A casa onde trabalhava foi destruída, mas a residência onde mora permaneceu de pé. “Estou feliz em estar seguro”, celebrou.
A tragédia aconteceu nesta quarta-feira (26) e atingiu comunidades próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. Segundo informações divulgadas até agora, mais de 160 pessoas morreram e pelo menos 400 seguem desaparecidas.
Rihana Lamichane, de 11 anos, estava na escola quando as aulas foram interrompidas por causa da inundação. Os estudantes receberam orientação para voltar para casa, mas Rihana enfrentou a força da água ao atravessar um rio.
“Enquanto eu atravessava o rio, de repente a água da enchente desceu a jorrar”, relatou a menina.
Imagens de câmera de segurança registraram o momento em que a correnteza tomou conta da região. Rihana ficou ferida no peito e na perna, mas conseguiu sair com vida. “Estou feliz em estar segura. Não faço ideia do que aconteceu com meus amigos”, disse.
A mãe de Rihana, Rita, soube do ocorrido por meio de uma amiga e correu para procurar a filha. “Estou feliz que nada sério aconteceu com minha filha. Fico aliviada em encontrá-la segura”, agradeceu.
Em Timure, o cenário foi ainda mais devastador. Uma testemunha ouvida pelo site Nepal News afirmou que o povoado inteiro foi destruído pela avalanche. “Timure desapareceu completamente, não sobrou nada”, disse.
O guia de trekking Sonam Dorjee, morador da vila de Syafru Besi, no distrito de Rasuwa, contou à BBC que sua própria casa desabou durante a enchente. Ele havia saído da região pouco antes do desastre e seguia de carro para Katmandu.
A irmã de Dorjee, Dechen Tamang, está desaparecida junto com o marido e outros familiares. O guia torce para que sejam encontrados com vida. “Esperamos que haja 10% de chance”, afirmou. Ele conseguiu ouvir os sons provocados pela enchente enquanto se afastava do bairro. “Parece um terremoto. Minha casa desabou… Eu vi uma foto”, lamentou.

Ao descrever o que aconteceu, Dorjee classificou a enchente como “súbita e devastadora”. Segundo ele, muitas pessoas que sobreviveram perderam suas casas e agora dependem de ajuda para deixar as áreas afetadas. O guia afirmou que são necessários resgate, evacuação, alimentos, locais para abrigo temporário e atendimento médico.
A tragédia aconteceu em uma região que enfrenta recorrentes inundações e deslizamentos durante a temporada de monções. As áreas montanhosas do Nepal também apresentam vulnerabilidade a terremotos e outros desastres naturais, aumentando os riscos para as comunidades locais durante períodos de condições climáticas adversas.
Até o momento, a causa exata do deslizamento não havia sido esclarecida. Dados do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências apontaram que um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado cerca de sete minutos antes da avalanche.




