Metropolitana FM © 1996 – 2026 | Av. Paulista, 2200 – 14º Andar – São Paulo – SP – CEP: 01310-300
Politica de Privacidade



Quando se fala em câncer de intestino, muitas pessoas ainda desconhecem que o termo se refere principalmente aos tumores que atingem o cólon e o reto, conhecidos na medicina como câncer colorretal. Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Verde, criada pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a doença. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de intestino é responsável por mais de 23 mil mortes por ano no Brasil.
A alta mortalidade está relacionada, em parte, ao diagnóstico tardio. O câncer colorretal ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes em homens, atrás apenas do câncer de próstata, e também entre as mulheres, depois do câncer de mama. Apesar da relevância do cenário, especialistas destacam que medidas de prevenção, rastreamento e identificação precoce podem modificar a evolução da doença.
“O câncer colorretal é uma doença que pode evoluir de forma silenciosa por bastante tempo. Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, a pessoa já convive com alterações há algum período e acaba procurando ajuda apenas quando o quadro se torna mais evidente. Por isso, informação e acompanhamento médico são fundamentais”, explica o oncologista Dr. Matheus Baptista, da Croma Oncologia.
Entre os sinais que merecem atenção estão a presença de sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal, episódios recorrentes de diarreia ou constipação, mudança no formato das fezes, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente e perda de peso sem explicação.
“Nem toda alteração intestinal significa câncer, mas sintomas que persistem ou se repetem precisam ser investigados. É comum que as pessoas atribuam essas mudanças à alimentação, ao estresse ou à rotina, mas a avaliação médica é essencial para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado quando necessário”, afirma o especialista.
O risco aumenta com a idade, mas a doença não está restrita às pessoas mais velhas. Histórico familiar, principalmente em parentes de primeiro grau, além de fatores relacionados ao estilo de vida, como excesso de peso, sedentarismo, baixa ingestão de fibras, consumo frequente de carnes processadas e vermelhas, bebidas alcoólicas e tabagismo, podem elevar as chances de desenvolvimento do tumor.

A prevenção passa pela adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e realizar acompanhamento médico. Além disso, o rastreamento pode identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas, favorecendo o diagnóstico precoce. A expectativa é que o acesso a esses exames avance nos próximos anos.
Em maio deste ano, o Ministério da Saúde (MS), anunciou um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal, o chamado Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca ampliar o acesso à detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros entre 50 e 75 anos, faixa etária considerada prioritária para o rastreamento.
No câncer colorretal, os exames podem incluir testes capazes de detectar sinais da doença nas fezes e a colonoscopia, que permite visualizar o intestino e, em determinadas situações, remover pólipos antes que eles evoluam para um tumor. A estratégia de rastreamento busca justamente antecipar o diagnóstico e aumentar as possibilidades de tratamento.
Quando identificado, o tratamento depende de fatores como localização, estágio da doença e características individuais de cada paciente. As opções podem envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia, permitindo abordagens cada vez mais personalizadas.
“Hoje temos um cenário muito diferente de anos atrás. O tratamento do câncer colorretal evoluiu e conseguimos oferecer alternativas mais individualizadas, inclusive para pacientes com doença avançada. Mas o diagnóstico no momento adequado continua sendo um dos fatores mais importantes para melhorar os resultados”, destaca o médico.
O Setembro Verde reforça a mensagem de que cuidar da saúde intestinal não deve acontecer apenas quando surgem sintomas. Conhecer os sinais de alerta, adotar hábitos preventivos e conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de rastreamento são atitudes que ajudam a transformar informação em cuidado.
Por Pamela Moraes
